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Canetas de GLP-1 podem valorizar carne premium

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Consultoria avalia que medicamentos da classe GLP-1 podem alterar o perfil da demanda e favorecer produtos de maior valor agregado

 

A rápida expansão dos medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes, começa a entrar no radar do agronegócio. Embora esses tratamentos reduzam o apetite e levem a uma menor ingestão calórica, especialistas avaliam que eles também podem estimular uma alimentação baseada em produtos de maior qualidade nutricional, abrindo espaço para uma valorização da carne bovina, especialmente dos cortes premium e de maior valor agregado.

A análise faz parte da edição mais recente do relatório Visão Agro, da Consultoria Agro do Itaú BBA. Segundo o estudo, a tendência não deve ser interpretada apenas como uma redução no consumo de alimentos, mas como uma mudança no perfil da demanda. Nesse novo cenário, alimentos reconhecidos pela elevada densidade nutricional tendem a ganhar importância nas escolhas dos consumidores, mesmo que o volume total consumido seja menor.

Para a carne bovina, os efeitos podem ocorrer em duas direções. De um lado, a redução da ingestão calórica pode limitar o crescimento do consumo per capita. De outro, a carne continua sendo uma das principais fontes de proteína completa, característica que tende a ganhar relevância em dietas mais enxutas e focadas na qualidade nutricional. Essa combinação pode favorecer produtos diferenciados e estratégias de segmentação por parte da indústria frigorífica.

Segundo Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, esse cenário pode favorecer cortes premium, produtos de maior valor agregado e estratégias de segmentação da indústria, impulsionando um processo de valorização da carne bovina mesmo em um ambiente de crescimento mais moderado do consumo per capita. “A evolução dos medicamentos GLP-1 não deve ser interpretada apenas como uma redução de demanda por alimentos, mas como uma transformação do perfil de consumo”, destaca.

O relatório ressalta ainda que a formação dos preços dependerá também do comportamento da oferta. Em 2026, a disponibilidade de carne bovina pode permanecer elevada, influenciada, entre outros fatores, pela redução das exportações para a China. No entanto, esse cenário tende a mudar nos anos seguintes, à medida que o ciclo pecuário avance para uma fase de retenção de fêmeas e recomposição do rebanho, reduzindo a oferta de animais para abate.

Na avaliação da consultoria, a combinação entre mudanças no comportamento do consumidor e um ambiente de menor disponibilidade futura de carne poderá estabelecer um novo equilíbrio para o mercado. A tendência reforça que fatores ligados à saúde, à nutrição e às transformações demográficas passam a exercer influência crescente sobre cadeias tradicionalmente guiadas apenas por oferta, demanda e comércio internacional, exigindo atenção de produtores, frigoríficos, distribuidores e varejo na definição de suas estratégias.

 

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