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Leite mantém estabilidade, mas setor segue pressionado

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Valor pago ao produtor pouco varia em maio, enquanto exportações recuam e custos de produção permanecem elevados

 

O mercado brasileiro de leite apresentou sinais de maior equilíbrio em maio, com estabilidade no preço pago ao produtor após meses de oscilações. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o valor médio recebido pelo produtor ficou em R$ 2,6617 por litro na chamada “Média Brasil”, registrando leve recuo de 0,45% em relação a abril e permanecendo 3,8% abaixo do observado em maio de 2025, em valores reais, corrigidos pelo IPCA.

Os dados integram a edição de julho do Boletim do Leite do Cepea e mostram que a estabilidade no campo ocorreu em um ambiente de demanda ainda moderada e comportamentos distintos ao longo da cadeia láctea. Enquanto alguns derivados mantiveram preços praticamente inalterados no atacado paulista, outros continuaram sofrendo pressão do consumo enfraquecido. O cenário também foi marcado pela retração das exportações brasileiras e pela estabilidade dos custos de produção.

No mercado atacadista de São Paulo, pesquisa do Cepea realizada em junho com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) apontou variações discretas para parte dos derivados. O queijo muçarela apresentou alta de 0,08%, enquanto o leite em pó avançou 0,38%. Em sentido contrário, o leite UHT registrou queda de 3,07%, refletindo um mercado de consumo ainda desaquecido.

O comércio exterior também apresentou desempenho mais fraco em junho. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as importações brasileiras de lácteos recuaram 4,17% frente a maio, totalizando 216,76 milhões de litros equivalentes de leite (EqL). As exportações tiveram retração ainda mais intensa, de 22,75%, encerrando o mês em 4,49 milhões de litros EqL. Na comparação com junho de 2025, as compras externas cresceram 35,11%, enquanto os embarques diminuíram 12,92%, indicando manutenção da dependência brasileira do mercado internacional para abastecimento interno.

Nos custos de produção, o levantamento aponta relativa estabilidade em junho. O Custo Operacional Efetivo (COE) do sistema leiteiro avançou 0,24% na Média Brasil e acumula alta de 2,04% no primeiro semestre. Entre os estados monitorados, os maiores aumentos ocorreram na Bahia (3%), Goiás (2,6%), São Paulo (2,56%) e Minas Gerais (2,5%). No Paraná, a elevação foi de 1,31%, enquanto Santa Catarina encerrou o semestre praticamente estável e o Rio Grande do Sul foi o único estado a registrar redução do COE, com queda de 0,35%.

O conjunto dos indicadores sugere um mercado menos volátil do que nos meses anteriores, mas ainda influenciado por demanda enfraquecida, forte presença de produtos importados e custos que permanecem em patamar elevado. Para produtores e indústrias, a evolução do consumo interno e o comportamento do comércio exterior continuarão sendo fatores decisivos para o desempenho do setor ao longo do segundo semestre.

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