Capacidade produtiva, energia renovável e agricultura tropical fortalecem protagonismo do País no cenário internacional
A competitividade do agronegócio brasileiro esteve associada, durante décadas, principalmente à capacidade de produzir em larga escala. A expansão da agricultura tropical, os ganhos de produtividade e a consolidação do país como grande exportador de alimentos transformaram o Brasil em um dos principais fornecedores globais de commodities agrícolas. Agora, o desafio passa a ser outro: converter essa força produtiva em influência econômica, tecnológica e estratégica no cenário internacional.
Em um ambiente marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e crescente preocupação com a segurança alimentar, o Brasil reúne características que poucos concorrentes possuem simultaneamente. A combinação entre disponibilidade de recursos naturais, capacidade de produção de proteínas, domínio da agricultura tropical e experiência em biocombustíveis coloca o País em posição privilegiada para ampliar sua relevância global.
Essa avaliação foi apresentada por Ingo Plöger durante o Veja Fórum Agro 2026, realizado em São Paulo. Para o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), o Brasil possui diferenciais capazes de fortalecer sua presença em mercados internacionais cada vez mais exigentes.
“Somos um dos poucos países com capacidade de integrar toda a cadeia de produção animal e atender mercados internacionais com produtos alinhados às preferências dos mais variados consumidores”, afirma Plöger, presidente da ABAG.
Além da produção de alimentos, Plöger destacou o potencial brasileiro para exportar conhecimento e tecnologia. Na sua avaliação, uma das oportunidades mais relevantes para os próximos anos está relacionada à internacionalização da experiência acumulada pelo País em agricultura tropical.
“Acredito que um dos próximos passos estratégicos do país será a internacionalização da Embrapa, levando a experiência brasileira em agricultura tropical para outras regiões do mundo. A África, pelas suas características e potencial produtivo, deve ser um dos principais destinos dessa expansão do conhecimento e da cooperação tecnológica brasileira”, ressalta o executivo.
Outro tema abordado foi a relação entre produção agropecuária e energia renovável. Segundo Plöger, a experiência brasileira demonstra que alimentos e biocombustíveis podem crescer de forma complementar, contrariando argumentos frequentemente apresentados em mercados internacionais.
“Temos defendido na Europa que, quanto mais combustível renovável produzimos, mais alimentos também geramos. O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente”, destaca.
Ao projetar o futuro do setor, o presidente da ABAG associou o desenvolvimento agropecuário ao fortalecimento do empreendedorismo e à geração de oportunidades em cidades médias e pequenas. Segundo ele, o dinamismo econômico das regiões agrícolas tem contribuído para ampliar renda, atrair investimentos e estimular novos negócios.
“Cerca de metade da população brasileira vive em cidades com até 400 mil habitantes, muitas delas diretamente conectadas às cadeias do agronegócio, reforçando sua importância para o país”, observa Plöger.
Para a entidade, a discussão sobre o futuro do agro brasileiro deve ser tratada como uma agenda de Estado. Em um cenário global de crescente demanda por alimentos, energia e conhecimento produtivo, a capacidade de combinar esses três elementos pode representar uma das principais vantagens competitivas do Brasil nas próximas décadas.




