Feira amplia agenda internacional e aproxima cadeia brasileira de novos mercados de biocombustíveis e energia renovável
A diversificação da matriz de bioenergia está abrindo novas frentes comerciais para uma cadeia historicamente associada à cana-de-açúcar. SAF, biogás, biometano, bioeletricidade e novas aplicações dos biocombustíveis ganharam espaço nas discussões da 32ª Fenasucro & Agrocana, realizada em Sertãozinho (SP), ao mesmo tempo em que fornecedores brasileiros buscaram ampliar negócios dentro e fora do País.
O resultado comercial ajuda a dimensionar essa movimentação. Levantamento do CEISE Br junto aos expositores aponta R$ 14,1 bilhões em negócios iniciados durante os quatro dias da feira. O evento recebeu visitantes de mais de 80 países, reforçando a presença internacional em um momento de expansão dos biocombustíveis.
Parte desse movimento apareceu diretamente nos resultados relatados pelas empresas. A Fertron recebeu cerca de mil visitantes no estande e projeta que as oportunidades geradas contribuam para crescimento aproximado de 30% em novos negócios. A Fluke calcula retorno equivalente a dez vezes o investimento realizado no evento em geração de leads e oportunidades, enquanto o Grupo MECAT informou ter superado em 150% sua meta de negócios.
Uma das frentes de internacionalização esteve ligada ao combustível sustentável de aviação (SAF). A ApexBrasil levou à feira representantes de 11 empresas de sete países interessados em conhecer o ecossistema brasileiro de bioenergia e estabelecer contatos com potenciais parceiros.
Segundo o balanço, as oportunidades prospectadas pela missão representam potencial estimado de US$ 7 bilhões em investimentos. O valor deve ser entendido como perspectiva associada aos projetos avaliados, e não como investimento contratado durante o evento.
A aproximação com compradores internacionais também ocorreu nas rodadas do projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, parceria entre o APLA Piracicaba e a ApexBrasil. Foram mais de 670 reuniões, envolvendo 20 compradores estrangeiros de seis países e 58 empresas brasileiras. A expectativa de negócios para os próximos 12 meses chega a US$ 86,2 milhões, aproximadamente R$ 448 milhões.
Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, destaca que os números refletem a qualidade das conexões geradas durante o evento. “Chegamos ao fim desta edição com resultados que mostram a força da cadeia da bioenergia. Tivemos compradores, investidores e profissionais buscando tecnologias, novos projetos e soluções para aumentar a eficiência da produção”, afirma.

Discussão vai além do etanol
A ampliação da agenda ficou evidente também na segunda edição da FenaBio. Mais de mil congressistas acompanharam debates com 70 palestrantes sobre temas que incluíram SAF, biogás, biometano, bioeletricidade, etanol, geopolítica, inteligência artificial e uso de biocombustíveis na navegação.
Outro componente internacional foi o 13º Congresso Latino-Americano da ATALAC, realizado pela primeira vez no Brasil. O encontro reuniu 660 congressistas de 17 países, com 137 palestras técnicas e científicas, 54 trabalhos de estudantes e sete visitas agrícolas e industriais.
Os números mostram uma cadeia que procura transformar a capacidade brasileira de produção de biomassa e biocombustíveis em tecnologia, equipamentos, serviços e novos projetos de energia. Nesse cenário, a internacionalização passa não apenas pela exportação de produtos, mas também pela aproximação entre fornecedores nacionais, compradores e investidores.
A próxima Fenasucro & Agrocana será realizada de 10 a 13 de agosto de 2027, novamente no Centro de Eventos Zanini, também em Sertãozinho (SP).





