Seminário na ExpoLondrina destaca que controle e comprovação sanitária são decisivos para acesso a mercados e gestão eficiente
A exigência por alimentos seguros e rastreáveis vem redefinindo as regras de acesso aos mercados agropecuários, dentro e fora do Brasil. O tema ganhou protagonismo no 4º Seminário Mesorregional de Sanidade Agropecuária, realizado durante a ExpoLondrina 2026, ao reunir produtores e especialistas para discutir como sanidade e rastreabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a ser condições básicas para competir.
Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, o avanço nessas áreas abre portas comerciais. “É um passo importante. A sanidade e rastreabilidade possibilitam ao produtor acessar outros mercados consumidores”, afirma.
A necessidade, no entanto, vai além da adoção de práticas sanitárias. Segundo o presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, o desafio está na comprovação. “Quem não tiver, tá fora do mercado, mas não basta ter, é preciso comprovar”, destaca. Ele lembra que, em cadeias com produção superior ao consumo interno, como a leiteira, a exportação depende diretamente desses requisitos. “Nós precisamos exportar, mas como faremos se não temos sanidade, se não tivermos como comprovar”, questiona.
O seminário também reforçou o papel da gestão dentro das propriedades. Para o chefe regional da Adapar em Londrina, Marcelo Matsubara, a proposta do evento foi aproximar a teoria da prática. “É produtor falando com produtor. Mostrar o quanto a sanidade adequada, assim como a rastreabilidade, pode gerar benefícios ao produtor”, afirma.
Na prática, a rastreabilidade se mostra uma ferramenta de gestão. A produtora Monica Baer, que rastreia seu rebanho há 15 anos pelo SISBOV, destacou os ganhos operacionais. “É um trabalho intenso, mas […] consegui colocar em ordem o projeto do gado”, relata. Segundo ela, o controle individual permite medir desempenho e tomar decisões mais assertivas. “Como posso avaliar se meu trabalho está dando retorno positivo ou negativo se não for dessa forma. Essa é uma decisão empresarial muito importante”, afirma.
Ao integrar sanidade, controle e indicadores produtivos, o setor avança para um modelo mais profissional e orientado por dados, no qual a rastreabilidade deixa de ser apenas exigência de mercado e passa a ser ferramenta estratégica para eficiência e competitividade.




