Nova iniciativa apresentada no evento aposta em genômica, índices bioeconômicos e gestão integrada para aumentar produtividade e rentabilidade no campo
A genética volta ao centro da estratégia da pecuária brasileira — agora com uma proposta que promete ir além do pedigree e chegar diretamente ao caixa do produtor. O Grupo de Melhoramento Animal e Biotecnologia (GMAB), da USP, lança na FEMEC 2026, em Uberlândia (MG), o Programa de Genética e Melhoramento Animal (GMA), uma iniciativa que combina base científica consolidada com ferramentas voltadas à gestão econômica do rebanho.
O objetivo declarado é claro: profissionalizar a gestão genética da cadeia da carne e transformar informação genômica em resultado produtivo mensurável. A proposta nasce da integração entre a FZEA/USP e a CTAG NextGen, empresa responsável pela operação técnica em larga escala.
Segundo o professor Fernando Baldi, vice-presidente do comitê técnico, o diferencial está na união entre ciência e aplicação prática. “Nossa missão é profissionalizar a gestão da cadeia da carne por meio de uma estrutura dinâmica e orientada à inovação. Unimos décadas de experiência em genômica e eficiência alimentar para entregar soluções que aumentam a produtividade e garantem a viabilidade do negócio nos trópicos”, afirma.
O que o programa entrega na prática
O GMA realizará avaliações genéticas e genômicas integradas para características de alto impacto econômico, como crescimento, eficiência alimentar, precocidade sexual, longevidade, carcaça e capacidade materna.
Além disso, o programa apresentará um índice bioeconômico inédito, voltado ao retorno global do sistema produtivo — uma mudança relevante para propriedades que buscam sair da avaliação isolada por característica e migrar para decisões orientadas por rentabilidade.
A estrutura se divide em dois braços operacionais:
- GMA Genetics – focado em animais registrados
- GMA Beefquality – voltado a animais comerciais
A proposta inclui ainda o uso do sistema de acasalamento MAXPAG, ferramenta que busca reduzir gargalos históricos como heterogeneidade de carcaça e variabilidade de desempenho.
Governança com base científica
O comitê técnico-administrativo é presidido pelo professor José Bento Ferraz (USP) e tem vice-presidência de Fernando Baldi, além de pesquisadores da Embrapa, Instituto de Zootecnia e representantes de criadores.
A primeira avaliação genômica oficial está prevista para março de 2026.
Baldi reforça o posicionamento estratégico do projeto: “A sustentabilidade nasce da eficiência produtiva e econômica da cadeia, impulsionada pela genética como fonte de inovação e valor”.
O que muda para o produtor e para a revenda
- Decisão genética orientada por retorno econômico
• Redução da variabilidade de carcaça
• Maior previsibilidade de desempenho
• Integração entre genética, produção e indústria
• Base científica aplicada diretamente ao campo
Por que isso importa
Em um cenário de margens pressionadas e exigência crescente por eficiência, a genética deixa de ser apenas ferramenta de seleção e passa a ocupar papel central na estratégia de competitividade da pecuária tropical.
A aposta do GMA é clara: integrar ciência, dados e mercado para que a evolução genética não seja apenas estatística — mas financeira.




