Propostas da Ocepar apontam necessidade de crédito robusto para sustentar investimentos e crescimento no agro
A escalada de investimentos no cooperativismo agropecuário do Paraná colocou o crédito rural no centro das decisões estratégicas do setor. Diante de um ciclo de expansão que projeta R$ 10,2 bilhões em aportes para 2026, as entidades do sistema produtivo intensificam a pressão por um Plano Safra mais robusto, capaz de sustentar o ritmo de crescimento e evitar gargalos financeiros.
O diagnóstico está em artigo assinado por José Roberto Ricken, Robson Mafioletti, Flávio Turra e Salatiel Turra, profissionais do Sistema Ocepar, que analisam a crescente demanda por crédito estruturado em um ambiente ainda marcado por juros elevados e restrições de financiamento.
Segundo os autores, a expansão do setor — que pode levar o faturamento do cooperativismo paranaense a superar R$ 250 bilhões — exige instrumentos financeiros compatíveis com a escala dos investimentos previstos. “Esse cenário evidencia uma demanda robusta por crédito estruturado […] o que reforça a necessidade de um Plano Safra alinhado às reais necessidades do cooperativismo”, destacam.
A proposta central gira em torno da mobilização de R$ 670 bilhões em recursos para o próximo ciclo, com R$ 184 bilhões destinados especificamente a investimentos. Para os autores, o volume é essencial para viabilizar projetos em áreas como armazenagem, agroindustrialização, tecnologia e agregação de valor.
Outro ponto destacado é a necessidade de fortalecer programas estratégicos, como o Prodecoop e o Procap-Agro, além de revisar limites de financiamento considerados defasados. “Sem esse suporte financeiro adequado, há risco de desaceleração do crescimento do setor”, alertam os especialistas.
A análise também aponta que o ambiente econômico atual — marcado por juros elevados, baixa rentabilidade e instabilidade geopolítica — amplia a importância de políticas públicas mais eficientes e alinhadas à realidade do campo. Nesse contexto, a redução da burocracia e a diversificação das fontes de recursos aparecem como medidas prioritárias.
As discussões ganham intensidade no período que antecede o anúncio do novo Plano Safra, previsto para o fim de junho. A expectativa é de que o governo federal incorpore parte das propostas apresentadas pelas entidades, criando condições para manter o ciclo de crescimento do cooperativismo.
Ao colocar o crédito no centro da estratégia, o setor sinaliza que a competitividade do agro passa, cada vez mais, pela capacidade de financiar sua própria expansão — e de alinhar política pública com demanda real de investimento.
O que o cooperativismo do PR projeta para 2026
- R$ 10,2 bilhões em investimentos
- +10% sobre 2025
- Faturamento pode superar R$ 250 bilhões
- Alta demanda por crédito estruturado
Principais propostas para o Plano Safra
- R$ 670 bilhões em recursos totais
- R$ 184 bilhões para investimentos
- Fortalecimento do Prodecoop e Procap-Agro
- Revisão de limites de financiamento
- Redução da burocracia no crédito




