Impacto direto das tarifas dos EUA é pequeno, mas setor monitora efeitos sobre a competitividade em mercados estratégicos
O impacto direto das novas tarifas dos Estados Unidos sobre o algodão brasileiro é considerado pequeno, mas possíveis mudanças nas condições de competição internacional colocaram a diversificação das exportações no radar do setor. A preocupação está principalmente nos efeitos de médio e longo prazo dos acordos e políticas tarifárias norte-americanas sobre países que também representam mercados estratégicos para a fibra produzida no Brasil.
O assunto foi discutido em encontro promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em São Paulo, com representantes de diferentes cadeias produtivas. A reunião teve como objetivo avaliar os impactos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos e discutir alternativas para diversificar as vendas brasileiras no exterior.

As discussões fazem parte da construção do Plano de Diversificação de Exportações da ApexBrasil, que reúne contribuições dos setores produtivos para identificar novos mercados e fortalecer iniciativas de inteligência e promoção comercial. A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) participou do encontro representada pelo diretor-executivo Marcio Portocarrero e pelo gerente do programa Cotton Brazil, Fernando Rati.
Embora o algodão não esteja entre as cadeias mais diretamente afetadas pelas medidas norte-americanas, a avaliação é que mudanças nas relações comerciais entre os Estados Unidos e outros países podem interferir na competitividade brasileira.
Isso ocorre porque políticas tarifárias e acordos comerciais podem modificar as condições de acesso a mercados que também são disputados pelo algodão brasileiro. Dessa forma, o impacto sobre o setor não precisa necessariamente ocorrer nas vendas destinadas aos Estados Unidos, mas pode aparecer na concorrência com outros fornecedores em terceiros mercados.
Acordos entram na estratégia
Nesse cenário, a Abrapa defende a ampliação das articulações brasileiras para estabelecer acordos e alianças comerciais que reduzam barreiras e melhorem as condições de acesso dos produtos nacionais.
“Em um cenário internacional cada vez mais competitivo, ampliar mercados e criar melhores condições de acesso para os produtos brasileiros é estratégico”, afirma Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa. Segundo ele, a entidade tem colaborado com a ApexBrasil em iniciativas destinadas a destravar relações comerciais e evitar situações que coloquem o País em desvantagem diante dos concorrentes.
A estratégia também passa pela promoção comercial. A entidade pretende dar continuidade e ampliar as ações realizadas em parceria com a ApexBrasil por meio do Cotton Brazil, programa voltado ao posicionamento do algodão brasileiro no exterior.
O objetivo é consolidar o Brasil como fornecedor da indústria têxtil internacional e ampliar a participação da fibra nacional nos mercados considerados estratégicos.
“Nosso impacto direto com as novas tarifas é pequeno, mas precisamos olhar para os efeitos de médio e longo prazo”, afirma Fernando Rati. Para ele, o caminho passa pelo fortalecimento da promoção do produto e pela ampliação da presença brasileira nos principais mercados consumidores.
Diversificação como prevenção
A discussão mostra que a diversificação comercial não precisa ocorrer apenas como reação à perda de determinado mercado. No caso do algodão, ela aparece também como estratégia preventiva diante de uma reorganização das relações comerciais internacionais.
Mesmo quando uma tarifa não incide de maneira significativa sobre determinado produto brasileiro, acordos firmados entre grandes economias podem alterar vantagens relativas, custos de acesso e condições enfrentadas pelos diferentes fornecedores.
Para o algodão brasileiro, a resposta defendida pelo setor combina três frentes: ampliação de mercados, redução de barreiras comerciais e promoção internacional da origem brasileira. O desafio será preservar competitividade em um ambiente no qual decisões tomadas entre outros países também podem modificar a disputa pela indústria têxtil mundial.





