Compradores terão rodadas de negócios e visitas técnicas para conhecer produtos e agroindústrias brasileiras
Quinze compradores de dez países desembarcarão no Rio Grande do Sul em setembro para conhecer produtos brasileiros e negociar diretamente com produtores e agroindústrias durante a 49ª Expointer. A iniciativa busca ampliar o acesso de pequenas e médias empresas ao comércio exterior e, ao mesmo tempo, diversificar uma pauta exportadora fortemente associada às grandes commodities.
A programação faz parte do Projeto Comprador do agroBR, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizada em parceria com a ApexBrasil e o Sebrae. Nesta edição, a ação também conta com apoio da Farsul, Sebrae Rio Grande do Sul e Senar-RS.
Será o segundo ano consecutivo do projeto na Expointer, depois de a feira ter recebido, em 2025, a experiência-piloto nacional da iniciativa. O objetivo é prospectar compradores no exterior e promover contato comercial direto com produtores e empresas brasileiras.
A delegação terá representantes dos Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, China, Tailândia, Argentina, Reino Unido, Catar, Canadá, Chile e Peru. A maior participação será chinesa, com cinco compradores de Xangai, resultado de uma missão comercial realizada pelo agroBR no país em maio. O Canadá terá dois representantes.
A diversidade de origens dos compradores também amplia as possibilidades de acesso a diferentes centros consumidores. Entre os participantes estão representantes de mercados como Dubai, Bangkok, Buenos Aires, Londres e Lima.
Da propriedade à mesa de negociação
A estratégia não se limita a reunir vendedores e compradores durante a feira. Nos dias 1º e 2 de setembro, os visitantes estrangeiros participarão de visitas técnicas na Grande Porto Alegre e na Serra Gaúcha, passando por propriedades rurais, agroindústrias e empresas.
As rodadas de negócios serão realizadas nos dias 3 e 4 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Os encontros serão definidos previamente a partir do cruzamento dos produtos procurados pelos compradores com a oferta das empresas participantes, buscando aumentar a compatibilidade comercial entre as duas partes.
As visitas técnicas acrescentam outro componente à estratégia de internacionalização. Além de avaliar produtos, os potenciais importadores poderão conhecer origem, processos produtivos e empresas responsáveis pela oferta, atributos que podem ganhar importância especialmente na comercialização de alimentos diferenciados e produtos de maior valor agregado.

Pauta vai além das commodities
A relação de produtos procurados mostra justamente essa diversidade. Há interesse por frutas frescas e processadas, mel, azeites, castanhas e nozes, bebidas, sucos, vinhos e destilados, chocolates, lácteos, erva-mate, especiarias e outros alimentos e produtos do agronegócio brasileiro.
Para Renan dos Santos, assessor de relações internacionais da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a iniciativa permite apresentar uma parcela menos conhecida da oferta gaúcha no exterior. “Queremos mostrar que o Rio Grande do Sul exporta soja, carnes e celulose em grande escala, mas também produz vinhos, espumantes, azeites, frutas, mel, erva-mate e alimentos premium capazes de competir em qualquer mercado do mundo”, afirma.
A aproximação direta com potenciais importadores procura enfrentar também uma das barreiras encontradas por empresas de menor porte interessadas em exportar: chegar ao comprador adequado.
“Não basta ter um excelente produto. Para exportar, é preciso colocar esse produto diante do comprador certo”, diz Santos. Segundo ele, é essa conexão que o projeto pretende oferecer às empresas participantes do agroBR.
A estratégia não pretende substituir o peso das commodities na pauta externa do Estado. A proposta é acrescentar produtos, empresas e destinos à base exportadora já existente. “A ideia não é substituir a força das commodities, mas complementar essa força com uma pauta exportadora mais diversificada”, explica o representante da Farsul.
Ao reunir compradores internacionais, visitas às regiões produtoras e reuniões comerciais previamente direcionadas, o projeto transforma a Expointer também em uma vitrine para empresas que ainda estão construindo sua presença internacional. Mais do que vender durante a feira, a aposta está em criar relações comerciais capazes de abrir espaço para uma parcela mais diversificada do agro brasileiro nos mercados externos.





