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Produtos frescos ganham espaço estratégico no varejo

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Setor acelera investimentos em tecnologia, conveniência e inteligência comercial, enquanto monitora os impactos do El Niño no segundo semestre

 

O mercado brasileiro de frutas, flores, legumes, verduras e ovos (FFLVO) encerrou o primeiro semestre de 2026 consolidando uma mudança de posicionamento dentro do varejo alimentar. Antes tratada principalmente como uma categoria operacional, a área de produtos frescos passou a ocupar um papel mais estratégico, impulsionada por investimentos em inteligência comercial, eficiência logística, inovação e conveniência. A transformação busca reduzir perdas, ampliar margens e responder às novas exigências do consumidor por alimentos mais saudáveis e práticos.

A evolução foi evidenciada em encontros promovidos pela International Fresh Produce Association (IFPA) e em debates realizados ao longo do semestre. A avaliação predominante é que a categoria deixou de ser apenas um espaço de abastecimento para se tornar um diferencial competitivo dos supermercados, capaz de fortalecer a fidelização dos clientes e aumentar a rentabilidade das lojas.

Valeska Ciré, country manager no Brasil da IFPA

Segundo Valeska Ciré, country manager no Brasil da International Fresh Produce Association (IFPA), essa mudança reflete uma nova compreensão do mercado. “Estamos vivendo uma mudança importante no setor. O FFLVO deixou de ser visto apenas como categoria de abastecimento e passou a ocupar espaço estratégico dentro do varejo alimentar. Hoje existe compreensão clara de que o setor é fundamental para suprir as mudanças de comportamento do consumidor e suas demandas, refletindo no potencial de resultado no ponto de venda.”

Outro movimento observado pela entidade foi a substituição de decisões baseadas apenas na experiência por ferramentas de inteligência comercial. Estudos apresentados em eventos da IFPA indicam que varejistas que utilizam modelos preditivos conseguem reduzir perdas em até 25% e diminuir rupturas em até 30%, ganhos considerados relevantes em um segmento historicamente pressionado por margens reduzidas.

A procura crescente por alimentos associados à saudabilidade e à conveniência também ganhou força nos últimos meses. Frutas cortadas, saladas prontas, vegetais higienizados e produtos prontos para consumo passaram a representar oportunidades de maior valor agregado para produtores, indústria e varejo. “O consumidor mudou muito rapidamente. Existe demanda crescente por praticidade, saudabilidade e conveniência. Isso cria espaço para produtos de maior valor agregado e exige que toda a cadeia repense logística, exposição, comunicação e desenvolvimento de novos formatos de consumo”, destaca Valeska.

Ao mesmo tempo, rastreabilidade, sustentabilidade e integração entre os diferentes elos da cadeia ganharam importância diante da abertura de novos mercados e das exigências por transparência. Nos fóruns promovidos pela IFPA, especialistas destacaram que supermercados com maior participação de produtos frescos podem alcançar até 15% mais lucro, desde que combinem controle operacional, redução efetiva de perdas e colaboração entre fornecedores e varejo. “A cadeia começa a entender que colaboração será essencial para enfrentar os próximos desafios. O produtor busca eficiência, o varejo quer reduzir perdas e o consumidor exige qualidade e conveniência. Quando esses elos trabalham de forma integrada, surgem oportunidades concretas de inovação e crescimento”, afirma Valeska.

Para o segundo semestre, o setor acompanha com atenção a possibilidade de intensificação do El Niño, que pode influenciar oferta, produtividade e preços em diferentes regiões produtoras. Apesar desse cenário de maior volatilidade, a IFPA avalia que o mercado brasileiro mantém potencial de expansão e espera consolidar as tendências observadas ao longo do ano durante a The Brazil Conference & Expo, prevista para agosto.

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