Encontro aponta necessidade de ampliar investimentos preventivos e fortalecer a cultura do seguro no campo
Representantes do setor segurador, parlamentares e especialistas defenderam, em Brasília, a necessidade de acelerar a modernização do Seguro Rural brasileiro como forma de fortalecer a gestão de riscos na agropecuária e reduzir a recorrência de renegociações de dívidas agrícolas. A avaliação predominante é que ampliar os mecanismos de proteção ao produtor representa uma estratégia mais eficiente e menos onerosa para os cofres públicos do que manter sucessivos programas emergenciais de socorro financeiro após perdas provocadas por eventos climáticos.
O tema foi debatido hoje durante o evento “O Seguro Rural que o Brasil precisa”, promovido pela consultoria Meridiana com apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), ligado à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Além da necessidade de ampliar investimentos públicos no setor, os participantes defenderam a diversificação dos instrumentos de proteção e a modernização do atual modelo de gestão de riscos agrícolas.
Para Tereza Cristina, senadora (PP-MS), o Brasil precisa consolidar uma cultura de contratação de seguros, especialmente diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. “Nós temos que trabalhar o nosso agricultor para ele ter a cultura do seguro. […] E o seguro não é só climático. Esse é o principal ponto, mas ele tem que partir para um seguro de renda, ele tem que partir para um seguro paramétrico, ele tem outras opções, para que cada produtor possa segurar a sua produção de uma maneira apropriada. […] O que é R$ 1 bilhão para um setor que contribui com 30% do nosso PIB?”, afirmou.
Na avaliação de Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, a ampliação do Seguro Rural deve ser tratada como política pública permanente. “A gente tem que ter uma visão de longo prazo, porque vai custar muito mais barato para o Tesouro expandir o seguro rural do que continuar fazendo as renegociações de dívida agrícola, por exemplo”, destacou, ao defender maior atenção da política econômica para o tema.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, deputado federal (Republicanos-PR), ressaltou que o avanço da legislação pode contribuir para ampliar a adesão dos produtores ao sistema. “Esperamos, com a conclusão da proposta legislativa que retornou ao Senado, que possamos aprimorar o setor neste tema e conseguir avançar rapidamente após a aprovação da nossa lei. Os Estados Unidos levaram mais de 20 anos para chegar a um sistema que hoje é um modelo que nós gostamos. A gente tem que correr contra o tempo para tentar chegar nisso em bem menos de 20 anos e, a curto prazo, consolidar uma cultura de seguro no Brasil”, afirmou.
Durante o encontro, os debatedores também defenderam maior investimento em gestão de riscos, mitigação dos impactos climáticos, desenvolvimento de seguros com maior aplicação tecnológica e adoção de experiências internacionais que possam contribuir para ampliar a cobertura e a eficiência do sistema brasileiro. O debate ocorre enquanto o Projeto de Lei nº 2.951/2024, que reformula o Seguro Rural, aguarda nova deliberação no Senado Federal após ter sido aprovado, com alterações, pela Câmara dos Deputados.




