Modelo que incorpora qualidade do solo no cálculo de risco climático deve avançar no Sul e em Mato Grosso do Sul na próxima safra
Uma nova evolução do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) começa a ganhar espaço nas políticas de gestão de risco da agricultura brasileira. O chamado Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM) passará por uma nova etapa de expansão e deverá envolver produtores do Sul do país e de Mato Grosso do Sul na próxima safra.
A proposta do modelo é ampliar o tradicional sistema de zoneamento ao incluir um fator até então pouco considerado nas análises: a qualidade do manejo do solo.
A iniciativa está sendo conduzida pela Embrapa em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que nos próximos dias irão apresentar o funcionamento da ferramenta a potenciais operadores do sistema, como cooperativas, seguradoras, agentes de crédito rural e empresas de geotecnologia.
A principal inovação do ZarcNM é que o nível de manejo adotado pelo agricultor passa a influenciar diretamente a avaliação de risco climático da lavoura. Enquanto o Zarc tradicional considera fatores como clima, tipo de solo e ciclo das culturas, o novo modelo incorpora indicadores relacionados à saúde do solo e práticas agronômicas.
Com isso, propriedades que adotam melhores práticas agrícolas podem acessar percentuais maiores de subvenção ao seguro rural. No projeto piloto realizado no Paraná com a cultura da soja, os níveis de manejo geraram diferentes faixas de apoio financeiro: NM1: 20% de subvenção; NM2: 25%; NM3: 30%; e NM4: 35%.
A expectativa é que a ampliação do sistema passe a integrar o Plano Safra 2026/2027, que deverá definir os novos limites de recursos para essa modalidade de seguro.
Nova etapa incluirá soja e milho safrinha
Na primeira fase de testes, o modelo foi aplicado apenas para a soja no Paraná. Agora, o sistema será ampliado para incluir também o milho segunda safra, além de contemplar novos estados.
Para explicar o funcionamento do ZarcNM e credenciar operadores do sistema, serão realizadas duas reuniões virtuais em março:
- 12 de março: operadores do Paraná e Mato Grosso do Sul
- 19 de março: operadores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul
Os encontros são gratuitos e voltados a instituições que participarão da operação do sistema, como laboratórios de análise de solo, seguradoras e empresas de georreferenciamento.
Como funciona a classificação
A avaliação do nível de manejo é feita por talhão e considera diversos indicadores ligados à conservação e qualidade do solo.
Entre os fatores analisados estão:
- tempo sem revolvimento do solo
- presença de cobertura vegetal ou palhada
- diversidade de culturas no sistema produtivo
- níveis de cálcio e saturação por bases
- presença de alumínio no solo
- práticas de plantio em nível ou em contorno
Esses dados são inseridos no Sistema de Informações de Níveis de Manejo (SiNM), plataforma desenvolvida pela Embrapa que também utiliza sensoriamento remoto para avaliar histórico e cobertura do solo.
A partir dessas informações, o sistema gera uma classificação final que permite às seguradoras informar ao governo o nível de subvenção ao seguro rural aplicável à propriedade.




