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Nova rota pode encurtar viagem do agro até a Ásia

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Ponte internacional sobre o Rio Paraguai, ligando Porto Murtinho (MS), no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai

Ligação terrestre aos portos chilenos promete reduzir prazos e diversificar corredores, enquanto fronteiras ainda desafiam a operação

Para uma carga agrícola brasileira destinada à China ou a outros compradores asiáticos, chegar ao porto é apenas parte de uma viagem longa e cara. A consolidação de uma saída pelo Oceano Pacífico pode alterar essa equação ao oferecer ao Centro-Oeste um caminho terrestre através de Paraguai e Argentina até terminais do norte do Chile.

A perspectiva interessa especialmente a cadeias nas quais tempo, frete e previsibilidade influenciam diretamente a competitividade. Estimativas apresentadas no projeto indicam potencial de redução de 14 a 20 dias no prazo de entrega, além da possibilidade de diversificar corredores e diminuir a dependência de determinados portos e trajetos.

Com mais de 3 mil quilômetros, a Rota Bioceânica ganhou estrutura institucional em 2015, quando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile criaram um grupo de trabalho para viabilizar o corredor Porto Murtinho–Portos do Norte do Chile.

Um dos marcos mais importantes ocorreu em julho deste ano: as duas extremidades da ponte internacional entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, foram conectadas. A estrutura sobre o Rio Paraguai possui 1.294 metros.

Depois de Porto Murtinho, as cargas atravessariam o Paraguai e a Argentina para alcançar portos chilenos como Antofagasta, Iquique e Mejillones. Soja, carnes, açúcar e celulose aparecem entre os produtos brasileiros que poderiam utilizar o corredor para chegar aos mercados asiáticos.

A mudança pode produzir efeitos além do frete. Um novo fluxo internacional tende a criar demanda por armazenagem, terminais, transporte e serviços de apoio ao longo do percurso, estimulando investimentos nas regiões atravessadas.

O desafio continua na fronteira

A infraestrutura física, entretanto, é apenas uma parte da equação. Para funcionar como corredor internacional competitivo, a rota dependerá da integração dos sistemas aduaneiros e dos procedimentos sanitários e de fiscalização dos quatro países. Segurança, digitalização, disponibilidade de mão de obra e capacidade de transporte também entram na lista.

No lado brasileiro, os acessos à ponte incluem 13,1 quilômetros de rodovia, seis pontes, um viaduto e um Centro Integrado de Fronteira, com cronograma apontado para o início de 2027.

Essas oportunidades e gargalos serão discutidos em 15 de setembro no Agrotalk Business, em Ribeirão Preto (SP). Entre os participantes estarão Jaime Verruck, secretário da Semadesc de Mato Grosso do Sul, e o diplomata João Carlos Parkinson de Castro, coordenador nacional dos Corredores Rodoviário e Ferroviário Bioceânicos.

Mais do que inaugurar uma ligação física entre Atlântico e Pacífico, portanto, o desafio será transformar quilômetros de rodovias em um corredor efetivamente competitivo. Para o agro, o ganho real será medido pelo tempo e pelo custo necessários para levar a produção da origem brasileira até o comprador asiático.

 

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