Publicação reúne duas décadas de pesquisas sobre integração lavoura-pecuária-floresta e destaca potencial sustentável do sistema
A busca por modelos produtivos capazes de ampliar a oferta de alimentos sem elevar a pressão ambiental transformou a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) em uma das principais apostas tecnológicas da agropecuária brasileira. Em meio às discussões globais sobre clima, carbono e segurança alimentar, a Embrapa reuniu duas décadas de pesquisas para consolidar o que considera uma das estratégias mais relevantes para o futuro da produção tropical.
O resultado desse trabalho foi lançado neste mês de maio com a publicação do livro “Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: Cultivando o Futuro”, organizado por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste. A obra reúne resultados científicos, experiências de campo e ações de transferência de tecnologia desenvolvidas ao longo de 20 anos em parceria com diferentes centros de pesquisa e instituições ligadas ao agro.
Com 20 capítulos e participação de 77 autores, o livro aborda desde implantação e manejo dos sistemas integrados até impactos econômicos, sociais e ambientais da tecnologia.
Segundo os editores Alberto Bernardi, Alexandre Rossetto Garcia, José Alberto Portugal e José Ricardo Pezzopane, a ILPF representa uma resposta concreta aos desafios das próximas décadas. “Esse conjunto de tecnologias é a materialização do conceito de que produzir e preservar não são atividades antagônicas, mas sim, as duas faces da moeda da sustentabilidade futura”, afirmam os pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste no prefácio da obra.
A publicação destaca que os sistemas integrados surgem como alternativa para enfrentar temas considerados centrais no debate global, como crescimento populacional, mudanças climáticas, degradação ambiental e escassez de recursos naturais.
Atualmente, a ILPF ocupa cerca de 17 milhões de hectares no Brasil, mas o potencial de expansão supera 100 milhões de hectares de pastagens nacionais, muitas delas em algum nível de degradação. A proposta do modelo é integrar atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área, elevando produtividade e diversificando fontes de renda do produtor rural.
Alexandre Berndt, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, afirma que o sistema também dialoga diretamente com compromissos ambientais assumidos pelo Brasil. “O livro reforça a necessidade de integrar a segurança alimentar com a mitigação de emissões de gases de efeito estufa (GEE), estratégias de adaptação às mudanças climáticas, preservação do solo e da água, e conservação da biodiversidade”, explica Berndt.
O conteúdo da obra também enfatiza que a ILPF não se restringe às grandes propriedades e pode ser adaptada para pequenos produtores, ampliando renda e eficiência em diferentes perfis produtivos.
Francisco Matturro, presidente-executivo da Rede ILPF, avalia que o sistema se consolidou como referência mundial em produção tropical sustentável. “A Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é a solução brasileira para a agropecuária tropical”, destaca Matturro.
Segundo Matturro, o modelo também fortalece conexões com cadeias globais de alimentos e energia renovável, ampliando o papel estratégico do Brasil na agenda internacional de sustentabilidade.
Ao consolidar duas décadas de pesquisas aplicadas, a publicação reforça uma percepção cada vez mais presente dentro do agro: produtividade, recuperação ambiental e geração de renda passaram a ser vistas não mais como objetivos separados, mas como partes complementares de uma mesma estratégia de desenvolvimento rural sustentável.




