Setor respondeu por quase metade das exportações brasileiras em abril, impulsionado por soja, carnes e abertura de mercados
O agronegócio brasileiro voltou a demonstrar sua força no comércio exterior. As exportações do setor alcançaram em abril o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, reforçando o papel do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos, fibras e bioenergia para o mercado internacional. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o agronegócio brasileiro exportou US$ 16,65 bilhões em abril de 2026, crescimento de 11,7% frente ao mesmo período do ano passado. O resultado garantiu ao setor participação de 48,8% em todas as exportações brasileiras no mês. No acumulado do primeiro quadrimestre, as vendas externas do agro somaram US$ 54,6 bilhões, também recorde para o período.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento do volume embarcado, que avançou 9,5% na comparação anual, além da valorização média de 2,1% nos preços internacionais. A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras do agro, com compras de US$ 6,6 bilhões em abril, avanço de 21,8% frente ao mesmo mês de 2025. O país asiático respondeu por quase 40% de toda a pauta exportadora do setor no período. A União Europeia apareceu na sequência, com US$ 2,36 bilhões em aquisições e crescimento de 8,7%. Já os Estados Unidos registraram US$ 1 bilhão em compras, embora com retração de 16,8% na comparação anual.
A soja em grãos manteve liderança absoluta entre os produtos exportados. As vendas externas chegaram a US$ 6,9 bilhões, crescimento de 18,8% frente a abril de 2025. O volume exportado atingiu 16,7 milhões de toneladas, recorde histórico para meses de abril, sustentado pela safra recorde estimada pela Conab. Outro destaque foi a carne bovina in natura, que também registrou recordes em valor e volume exportado. As vendas alcançaram US$ 1,6 bilhão, alta de 29,4%, com embarques de 252 mil toneladas. A China concentrou 55,8% das compras da proteína brasileira no período.
Além das commodities tradicionais, produtos considerados menos convencionais ganharam espaço na pauta exportadora. Pimenta piper seca, óleo essencial de laranja, sebo bovino, rações para animais domésticos, manga e abacate registraram resultados históricos em valor ou volume exportado. O avanço da fruticultura também chamou atenção. Desde 2023, o Brasil abriu 34 novos mercados internacionais para frutas, impulsionando embarques de melões, limões, limas, mamões e melancias.
Para Luís Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do MAPA, o resultado reflete uma combinação entre produção, negociação e ampliação do acesso internacional. “O resultado de abril mostra que, quando a força produtiva do agro se combina com abertura de mercados, negociação e presença internacional, o país transforma potencial em acesso concreto”, afirma Luís Rua. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, avaliou que o desempenho amplia a presença brasileira no comércio global. “O recorde de abril confirma o tamanho e a responsabilidade do agro brasileiro”, afirma o ministro.
O desempenho reforça um movimento cada vez mais evidente no cenário internacional: em um ambiente de crescente instabilidade global, regularidade de fornecimento, escala produtiva e segurança sanitária passaram a transformar o agronegócio brasileiro em peça estratégica do abastecimento mundial.




