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JBS cresce mesmo sob pressão nos Estados Unidos

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Companhia lucra US$ 221 milhões no trimestre e mostra força das operações brasileiras diante da crise pecuária nos EUA

 

A pressão sobre a pecuária bovina nos Estados Unidos começou a redesenhar o equilíbrio operacional de uma das maiores empresas de alimentos do planeta. Em meio ao avanço dos custos do gado norte-americano e à redução histórica da oferta de animais para abate, a JBS encontrou no Brasil, na diversificação geográfica e no fortalecimento das proteínas alternativas os principais motores para sustentar crescimento e rentabilidade no início de 2026.

A companhia encerrou o primeiro trimestre do ano com receita líquida de US$ 21,6 bilhões, avanço de 11% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro líquido somou US$ 221 milhões entre janeiro e março, enquanto o EBITDA ajustado atingiu US$ 1,13 bilhão, com margem consolidada de 5,2%.

O desempenho ocorreu em um cenário especialmente desafiador para a operação de carne bovina nos Estados Unidos, afetada pela fase mais aguda do ciclo pecuário norte-americano. A menor disponibilidade de gado elevou fortemente os custos de aquisição e pressionou as margens da unidade Beef North America, que encerrou o trimestre com EBITDA negativo de US$ 267 milhões e margem de -3,7%.

Mesmo diante desse ambiente, a companhia conseguiu preservar resultados positivos graças à força das operações brasileiras e ao desempenho consistente da Seara e das demais plataformas internacionais.

“No primeiro trimestre de 2026, permanecemos firmemente focados na excelência operacional. Entendemos o ambiente em que operamos e os ciclos naturais de cada proteína, e gerimos o negócio com disciplina e responsabilidade”, afirma Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS.

Segundo Tomazoni, a companhia adotou medidas de austeridade e reforço de geração de caixa justamente para enfrentar um ambiente global mais complexo e volátil.

O Brasil apareceu entre os principais destaques do trimestre. A JBS Brasil registrou receita líquida recorde de US$ 3,78 bilhões para um primeiro trimestre, impulsionada pela demanda global e pela diversificação dos mercados compradores. Já a Seara alcançou margem EBITDA de 15,5%, sustentada pelo crescimento das exportações e pelo fortalecimento do portfólio de produtos de valor agregado.

“A sólida posição financeira da Companhia oferece proteção contra a volatilidade”, afirma Guilherme Cavalcanti, CFO Global da JBS. Segundo Cavalcanti, a estratégia de gestão de passivos permitiu alongar o prazo médio da dívida para 15,6 anos, sem vencimentos relevantes até 2031.

Além da diversificação internacional, a companhia também reforçou investimentos em eficiência operacional e modernização industrial. O Capex avançou 20% em relação a 2025, totalizando US$ 2,4 bilhões no trimestre.

Em São Paulo, onde a JBS mantém presença industrial relevante, a companhia soma mais de 34 mil empregos diretos distribuídos em 100 cidades, com 30 fábricas, confinamento, granjas, incubatórios, centros de distribuição e mais de 450 lojas Swift.

O resultado do trimestre evidencia como o atual ambiente global da proteína animal passou a exigir empresas mais diversificadas, menos dependentes de um único mercado ou proteína e capazes de equilibrar ciclos produtivos distintos em diferentes regiões do mundo. Nesse contexto, a estratégia multiproteína e multigeográfica da JBS voltou a funcionar como principal mecanismo de proteção operacional diante de um dos momentos mais difíceis da pecuária norte-americana nos últimos anos.

 

 

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