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Índice mede sustentabilidade e muda gestão no campo

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Horta em propriedade familiar no Rio Grande do Sul. Foto: Mariana Rockenbach de Ávila

Ferramenta criada pela Embrapa integra produção, meio ambiente e renda para orientar decisões na agricultura familiar

 

A sustentabilidade nas pequenas propriedades rurais começa a ganhar uma nova dimensão no Brasil — menos conceitual e mais prática. Um índice desenvolvido a partir de parceria entre pesquisa pública e iniciativa privada transforma a complexidade do campo em dados objetivos, capazes de orientar decisões e melhorar a gestão dentro das propriedades.

O Índice de Sustentabilidade Auera (ISA) foi criado para avaliar, de forma integrada, os aspectos produtivos, econômicos, sociais e ambientais da agricultura familiar. Diferente de modelos tradicionais, a ferramenta combina essas dimensões em uma leitura única da propriedade, oferecendo diagnóstico detalhado e recomendações para evolução dos sistemas produtivos. O projeto Auera foi conduzido em cooperação entre a Embrapa Clima Temperado (RS) e a Philip Morris Brasil, e apoiado pela Fundação de Apoio Edmundo Gastal (Fapeg).

“O ISA pode ser usado direto pelo agricultor, mas é uma peça-chave para a formulação de políticas públicas. Ele fornece dados precisos que podem orientar investimentos e programas de incentivo”, afirma Rosane Martinazzo, pesquisadora da Embrapa Clima Temperado.

A base do índice reúne 182 indicadores organizados em nove eixos estratégicos, como solo, água, resíduos, biodiversidade, geração de energia e conformidade ambiental. A metodologia permite identificar gargalos e potencialidades, além de estabelecer métricas claras de desempenho que vão de “péssimo” a “excelente”.

Na prática, o ISA funciona como um “raio-x” da propriedade. Em um estudo realizado no Sul do Brasil, que avaliou mais de 5 mil estabelecimentos, o índice médio alcançou 78%, acima do patamar mínimo de 70% considerado sustentável. Apesar do resultado positivo, desafios persistem, especialmente na gestão de resíduos e na conservação do solo e da água.

O projeto também teve papel relevante na capacitação de produtores e técnicos, promovendo boas práticas agrícolas e o uso mais eficiente dos recursos naturais. Ao integrar conhecimento técnico e realidade de campo, a iniciativa busca fortalecer a resiliência das propriedades e garantir sua viabilidade no longo prazo.

Além do impacto direto sobre os produtores, o índice amplia sua relevância ao apoiar decisões estratégicas em diferentes níveis. Para técnicos, oferece padronização e acompanhamento da evolução das propriedades; para gestores públicos e empresas, fornece dados consistentes para formulação de políticas e investimentos.

Ao transformar sustentabilidade em indicador mensurável, o ISA aponta uma mudança importante na lógica do agro: a gestão eficiente passa a integrar produtividade, preservação ambiental e qualidade de vida, criando bases mais sólidas para o desenvolvimento rural.

 

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