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Ferrugem-asiática avança em registros e reforça alerta para manejo criterioso da soja

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Dados do Consórcio Antiferrugem mostram aumento de relatos no Sul; Embrapa destaca que monitoramento e uso correto de fungicidas são decisivos

 

O aumento no número de registros de ferrugem-asiática da soja na safra 2025/2026 acendeu o sinal de atenção no campo, mas não significa, necessariamente, perda de controle da doença. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, já foram contabilizados 144 relatos da enfermidade no país, com maior concentração no Sul, especialmente no Paraná, que soma 88 ocorrências até o início de janeiro.

Segundo a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja, o crescimento dos registros está mais associado à identificação precoce da doença do que a falhas no manejo. A presença de relatos indica circulação de esporos e a necessidade de adoção rigorosa das estratégias de controle, especialmente com o uso eficiente de fungicidas.

Na avaliação da pesquisadora, fatores regionais explicam a maior incidência de notificações no Sul. O clima mais úmido no inverno favorece a sobrevivência de plantas voluntárias de soja na entressafra, que funcionam como ponte verde para o fungo. Além disso, a antecipação do plantio em estados como o Paraná contribui para o aparecimento mais cedo da ferrugem, sobretudo em áreas próximas a fontes de inóculo.

Outro ponto destacado é o próprio sistema de monitoramento. Os registros do Consórcio são feitos por município e dependem da atuação voluntária de técnicos e agrônomos. Regiões com forte presença de cooperativas e maior capilaridade de assistência técnica tendem a apresentar mais notificações, o que não significa, necessariamente, maior severidade da doença.

No Centro-Oeste, onde a colheita já se aproxima, o impacto da ferrugem tende a ser menor, favorecendo o chamado “escape” da cultura. Nessa região, outras doenças, como a mancha-alvo, assumem maior importância econômica.

Diante do avanço da resistência do fungo aos fungicidas, a Embrapa reforça a recomendação do uso de produtos multissítios em associação, estratégia que amplia a eficiência do controle e ajuda a preservar a vida útil das moléculas disponíveis. O acompanhamento dos registros e das recomendações técnicas pode ser feito por meio dos aplicativos e publicações do Consórcio Antiferrugem e da Rede de Fitossanidade Tropical.

Ferrugem-asiática da soja: o que o produtor precisa saber

O que é a doença

  • Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi
  • Considerada uma das doenças mais severas da soja no mundo
  • Pode provocar perdas superiores a 80% da produtividade sem manejo adequado

Situação na safra 2025/26

  • 144 registros confirmados no Brasil
  • Maior concentração no Sul, com destaque para o Paraná
  • Aumento dos relatos indica presença de esporos, não falha de controle

Fatores que favorecem a ferrugem

  • Clima úmido, especialmente no inverno
  • Presença de soja voluntária na entressafra
  • Plantio antecipado e proximidade com fontes de inóculo
  • Sobrevivência do fungo entre safras

Principais estratégias de combate

  • Monitoramento constante das lavouras
  • Eliminação rigorosa da soja voluntária
  • Respeito ao vazio sanitário
  • Uso de fungicidas multissítios em associação, reduzindo risco de resistência
  • Aplicações no momento correto, conforme estágio da cultura

Apoio técnico ao produtor

  • Acompanhamento em tempo real pelo Consórcio Antiferrugem
  • Consulta à classificação de eficácia de fungicidas da Rede de Fitossanidade Tropical
  • Circulares técnicas e ensaios cooperativos da Embrapa

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