Evento reúne especialistas do Brasil e do exterior para discutir genética, inovação e competitividade da carne bovina
A edição 2026 da Feicorte começou nesta terça-feira, em Presidente Prudente (SP), com uma agenda voltada aos desafios e oportunidades da pecuária brasileira em um cenário de crescente demanda por eficiência, sustentabilidade e qualidade. Até sexta-feira, a feira reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir temas que vão da genética à nutrição animal, passando por sanidade, manejo, tecnologias de precisão e mercados globais.
Com o tema “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades”, o encontro busca evidenciar o papel estratégico do Brasil na produção mundial de carne bovina e os caminhos para transformar potencial produtivo em maior rentabilidade dentro das propriedades rurais. A programação do primeiro dia destacou justamente os fatores que podem definir a competitividade da cadeia nas próximas décadas.
Na abertura do evento, a CEO da Verum e organizadora da Feicorte, Carla Tuccilio, ressaltou a relevância da atividade para a economia nacional e a necessidade de preparar o setor para um novo ciclo de evolução. “Para 2026, esperamos que a Feicorte seja o espelho da evolução da carne brasileira, sustentada em três pilares: força, que representa a potência produtiva do maior rebanho comercial do mundo; brasilidade, valorizando nossa identidade, genética e forma única de fazer pecuária; e inovação, porque o futuro exige tecnologia, sustentabilidade e visão estratégica”, afirmou.

Entre os destaques da programação esteve o painel DNA Feminino da Carne, que reuniu profissionais ligadas à pecuária, genética, nutrição e gastronomia para discutir a crescente participação das mulheres em diferentes segmentos da cadeia produtiva. O debate abordou desde gestão de propriedades rurais até tendências de consumo e qualidade da carne.
Outro tema que despertou atenção foi o avanço das ferramentas de edição gênica aplicadas à pecuária de corte. O cientista norte-americano Tad Sonstegard, Chief Scientific Officer da Acceligen, apresentou perspectivas para a chegada de novas tecnologias ao mercado brasileiro, com foco na seleção de animais mais resistentes ao calor e a doenças. “Os primeiros produtos de sêmen e embriões chegarão ao mercado nos próximos anos, começando pelo Angus Slick, que foi classificado como não transgênico pela CTNBio no Brasil e terá os dados iniciais de sua descendência nacional consolidados em 2027”, explicou.
A valorização da diversidade genética também ganhou espaço na Beef Hour das Raças, uma das atrações mais concorridas do primeiro dia. A degustação reuniu cortes de 18 variedades, incluindo raças zebuínas, taurinas, compostas, além de carne de búfalo e cordeiro Suffolk. A iniciativa reforçou a relação entre genética, sistemas de produção e atributos de qualidade da carne.
Ao reunir ciência, mercado e experiências práticas, a Feicorte reforça sua proposta de funcionar como um ambiente de discussão sobre os rumos da pecuária brasileira, em um momento em que produtividade, inovação e diferenciação ganham peso crescente na construção da competitividade do setor.
Edição gênica acelera avanços na pecuária
A edição gênica está entre as principais apostas da ciência para aumentar a eficiência da pecuária de corte. A tecnologia permite realizar alterações precisas no DNA dos animais, acelerando a obtenção de características desejáveis que, pelos métodos tradicionais de seleção, levariam várias gerações para serem consolidadas.
Durante a Feicorte 2026, especialistas destacaram aplicações voltadas principalmente à resistência ao calor, característica considerada estratégica para países tropicais como o Brasil. Entre os exemplos apresentados está o Angus Slick, linhagem desenvolvida para melhorar a adaptação dos bovinos às altas temperaturas.
As pesquisas também avançam em áreas como resistência a doenças, eficiência alimentar e redução dos impactos ambientais da produção. Segundo especialistas, a edição gênica deverá complementar os programas convencionais de melhoramento genético, contribuindo para a formação de rebanhos mais produtivos, resilientes e sustentáveis nas próximas décadas.




