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Especial AgroRevenda 5: Amadeu Suter começou cedo

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Diretor regional do Bradesco no interior paulista, está no banco desde 1985. Mas começou a trabalhar muito cedo, aos 9 anos, por necessidade. Sua jornada será contada em livro lançado ainda este ano

 

A história profissional de Amadeu Emílio Suter Neto começa muito antes de seu primeiro crachá. Começa em Ourinhos, no interior de São Paulo, onde, ainda menino, aprendeu que o trabalho é, antes de tudo, um compromisso com a própria sobrevivência e com a família. “Meu pai ficou doente quando eu tinha 9 anos e eu precisei trabalhar muito cedo”, recorda. “Eu fui engraxate, vendi coxinha, entreguei jornal. Tudo isso fez parte da minha formação como pessoa.”

Essa experiência precoce moldou o que ele define como os pilares de sua trajetória: disciplina, responsabilidade e persistência. Décadas depois, ao se tornar diretor regional do Bradesco no interior paulista, ele ainda identifica naquele menino trabalhador a origem de sua força profissional. “Nada veio fácil. Tudo foi construído com muito esforço e com muita dedicação.”

Sua entrada no banco ocorreu em abril de 1985, como escriturário. Naquele momento, o emprego representava estabilidade, mas não necessariamente uma promessa de carreira executiva. “Eu entrei como qualquer outro funcionário, sem imaginar até onde poderia chegar”, afirma. O que veio depois foi resultado de uma construção contínua, feita passo a passo, função após função, cidade após cidade.

Desde o início, conciliou trabalho e estudo, ainda que nem sempre de forma simples. “Eu trabalhava durante o dia no banco e, à noite, continuava trabalhando na fábrica de pipoca, porque tinha compromisso com o antigo empregador”, lembra. Essa dupla jornada o obrigou a interromper temporariamente a faculdade, que só seria concluída anos mais tarde. “Eu me formei em Administração aos 28 anos. Não foi no tempo convencional, mas foi no tempo possível.”

A formação acadêmica foi apenas o começo. Ao longo da carreira, buscou qualificação constante, acumulando sete MBAs e diversos cursos voltados à área financeira e à gestão. Para ele, o aprendizado permanente é uma exigência, não um diferencial. “Você precisa evoluir continuamente. O mercado muda, as exigências mudam, e você precisa acompanhar.”

A ascensão dentro da instituição foi marcada por mudanças geográficas e novos desafios. Trabalhou em diferentes regiões do país, incluindo o interior paulista, o Centro-Oeste, Minas Gerais e o Norte. Cada transferência significou recomeçar em um novo contexto. “Você aprende a lidar com culturas diferentes, economias diferentes, realidades diferentes. Isso amplia sua visão.”

Hoje, como diretor regional no interior de São Paulo, ele supervisiona uma área estratégica, com forte presença do agronegócio. O setor, segundo ele, é um dos pilares da economia regional e nacional. “O interior de São Paulo tem um agro extremamente forte, diversificado e competitivo. É um segmento que exige conhecimento, proximidade e capacidade de entender o cliente.”

Alinhamento de valores

Ao refletir sobre seus quase 41 anos na mesma instituição, Suter Neto rejeita a ideia de permanência passiva. Para ele, longevidade profissional é resultado de alinhamento entre valores pessoais e organizacionais. “Você precisa gostar daquilo que faz. Precisa ter responsabilidade ética, comprometimento e amor pelo trabalho.” E acrescenta: “Você não chega a diretor de um dia para o outro. É uma construção, feita ao longo do tempo.”

Essa construção atravessou uma das maiores transformações da história do setor bancário. Quando iniciou a carreira, o sistema era baseado em processos manuais e atendimento presencial. Hoje, é dominado pela tecnologia digital e pela inteligência artificial. Ele acompanhou essa transição de dentro. “Nós vivemos uma revolução tecnológica. A inteligência artificial vai te auxiliar a desenvolver as suas funções e potencializar boas decisões.”

Mas ele ressalta que a tecnologia não substitui o elemento humano. “A inteligência artificial é um caminho sem volta, mas ela não elimina a responsabilidade, o compromisso e a ética. Esses valores continuam sendo fundamentais.”

Ao longo dessa trajetória, ele também amadureceu sua visão sobre liderança. Para Suter Neto, liderar é, acima de tudo, influenciar pelo exemplo. “As pessoas observam o que você faz, não apenas o que você fala.” Essa consciência o levou a valorizar a coerência entre discurso e prática. “Você precisa ser íntegro, consistente e verdadeiro.”

O desejo de compartilhar essa experiência o motivou a escrever um livro, atualmente em fase final de produção, intitulado O Voo da Águia, o legado. A obra reúne memórias pessoais e reflexões sobre carreira, propósito e superação. “Eu quero mostrar que qualquer pessoa pode vencer na vida, desde que tenha propósito, comprometimento e dedicação”, explica.

Para ele, a mensagem central é clara: o sucesso não é um evento isolado, mas o resultado de uma trajetória construída com consistência. “Tudo é possível quando você tem foco e determinação”, afirma.

Quase quatro décadas depois de entrar no banco como escriturário, Amadeu Emílio Suter Neto continua guiado pelos mesmos princípios que aprendeu ainda menino. Sua história não é apenas a de um executivo que permaneceu 41 anos na mesma empresa, mas a de alguém que transformou trabalho em vocação e permanência em legado.

 

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