Mesmo com oferta confortável, fatores climáticos e geopolíticos podem elevar a volatilidade das cotações nos próximos meses
O mercado internacional de soja entra no terceiro trimestre de 2026 com oferta global considerada confortável, mas cercado por fatores capazes de alterar rapidamente o comportamento dos preços. A definição do potencial produtivo da safra norte-americana, a consolidação do fenômeno El Niño, o crescimento da demanda por biocombustíveis e a evolução das relações comerciais entre China e Estados Unidos despontam como os principais vetores de volatilidade para os próximos meses.
A avaliação integra a 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, elaborado pela StoneX. Embora o balanço mundial permaneça relativamente equilibrado, a atenção do mercado migra agora para o desenvolvimento das lavouras dos Estados Unidos, justamente no período mais sensível para a definição da produtividade da safra 2026/27. O desempenho da produção norte-americana tende a influenciar diretamente a formação dos preços internacionais da oleaginosa.
Segundo Ana Luiza Lodi, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, o terceiro trimestre será decisivo para o mercado de soja porque coincide com a fase crítica da safra norte-americana. “Embora o balanço global ainda seja confortável, a definição da produtividade nos Estados Unidos continuará sendo o principal fator de formação de preços.”
Nos Estados Unidos, o plantio foi concluído em ritmo superior à média histórica, acompanhado por expansão da área cultivada com soja. O cenário foi favorecido pela maior competitividade da oleaginosa frente ao milho, em um contexto de custos elevados para fertilizantes nitrogenados. Paralelamente, o mercado acompanha os efeitos do El Niño, confirmado oficialmente pelo NOAA em junho. “Historicamente, o El Niño tende a reduzir os riscos de secas prolongadas durante o verão dos Estados Unidos, favorecendo as lavouras. Porém, a intensidade prevista para este ciclo aumenta o grau de incerteza e exige acompanhamento constante das condições climáticas”, afirma Ana Luiza.
Outro momento aguardado pelos agentes será a divulgação do relatório WASDE de agosto, que apresentará as primeiras estimativas oficiais de produtividade baseadas em levantamentos de campo. No lado da demanda, a indústria de biocombustíveis continua fortalecendo o consumo de soja nos Estados Unidos. “O esmagamento continua sendo o principal vetor de crescimento da demanda por soja nos Estados Unidos. A expansão da indústria de biocombustíveis tem ampliado a importância do óleo de soja no balanço global e deve continuar sustentando o consumo da oleaginosa”, destaca a especialista.
Além do clima e da demanda, o mercado monitora o cumprimento dos compromissos comerciais entre China e Estados Unidos. Caso as compras de soja norte-americana avancem além do esperado, a disponibilidade de oferta poderá se tornar mais ajustada. Enquanto isso, o Brasil segue sustentando um cenário de abastecimento robusto. A StoneX estima produção recorde de 182,1 milhões de toneladas na safra 2025/26 e projeta exportações próximas de 113 milhões de toneladas em 2026, mantendo o país na liderança mundial dos embarques. A oferta elevada brasileira e o bom desempenho da Argentina ajudam a preservar o equilíbrio global, mas a StoneX alerta que fatores climáticos e produtivos nos próximos meses poderão alterar significativamente esse cenário.




