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Doença mais temida da citricultura chega ao RS

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Confirmação em pomar doméstico leva órgãos de defesa agropecuária a ampliar ações de monitoramento e controle

 

A confirmação dos primeiros casos de greening em território gaúcho representa um novo capítulo na luta da citricultura brasileira contra uma das doenças mais destrutivas dos pomares comerciais. Após anos de monitoramento preventivo e vigilância intensificada nas áreas de fronteira, o Rio Grande do Sul passa a integrar a lista de estados com registros da enfermidade, conhecida mundialmente por comprometer a produtividade, a qualidade dos frutos e a longevidade das plantas cítricas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) confirmou a presença do Huanglongbing (HLB), ou greening, em plantas localizadas em um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próximo à divisa com Santa Catarina. O diagnóstico foi realizado por laboratórios da rede oficial do Ministério após identificação de sintomas compatíveis com a doença.

A ocorrência não surgiu de forma inesperada. Desde 2004, o MAPA e a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi-RS) mantêm um programa conjunto de vigilância fitossanitária. Nos últimos anos, o trabalho foi reforçado diante do avanço do greening em regiões vizinhas, incluindo Argentina, Uruguai e Santa Catarina.

A partir da confirmação, equipes técnicas dos dois órgãos passaram a atuar na região para delimitar a ocorrência, monitorar propriedades vizinhas e executar as medidas previstas no Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening, instituído pela Portaria SDA/Mapa nº 1.326/2025. Entre as ações previstas estão a erradicação das plantas infectadas e o controle rigoroso do psilídeo Diaphorina citri, inseto responsável pela disseminação da bactéria causadora da doença.

Além da área onde o foco foi identificado, as atividades de vigilância serão ampliadas em toda a região, com atenção especial aos pomares comerciais e ao trânsito de mudas. A movimentação de material propagativo é considerada um dos principais pontos de atenção dos programas de defesa fitossanitária, já que plantas contaminadas podem acelerar a disseminação da enfermidade para novas áreas produtoras.

Embora não represente qualquer risco à saúde humana, o greening é considerado a principal ameaça sanitária da citricultura mundial. A doença provoca deformação dos frutos, alteração de sabor, redução da qualidade comercial e queda progressiva da produtividade. Em estágios avançados, pode inviabilizar economicamente os pomares afetados.

O episódio reforça a importância da vigilância permanente e da adoção de práticas preventivas pelos produtores. O Serviço Oficial de Defesa Agropecuária destaca que a utilização de mudas certificadas e produzidas dentro dos padrões exigidos pela legislação continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir riscos e preservar a sanidade dos pomares.

Para a cadeia citrícola brasileira, a confirmação do greening no Rio Grande do Sul serve como lembrete de que o controle da doença depende de uma combinação entre monitoramento contínuo, resposta rápida dos órgãos de defesa e engajamento dos produtores. Em um setor cada vez mais pressionado por exigências de produtividade e qualidade, a sanidade vegetal segue sendo um dos pilares da competitividade.

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