Pesquisa da Andav e do Cepea mostra que distribuição responde por 47% dos insumos que chegam ao produtor brasileiro
A distribuição de insumos agropecuários movimentou R$ 171 bilhões em 2025 e respondeu por 47% dos insumos que chegaram aos produtores brasileiros. Os números da 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição mostram a dimensão alcançada pelas revendas no agronegócio e revelam um setor que, além de concentrar parcela relevante da comercialização de tecnologias para o campo, mantém planos de expansão para os próximos anos.

Realizado pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), o levantamento foi apresentado hoje à tarde durante o Congresso Andav 2026, em São Paulo.
Do faturamento total apurado pela pesquisa, R$ 105 bilhões vieram da comercialização de insumos, o equivalente a cerca de 61% do total. Outros R$ 43 bilhões foram movimentados com comercialização de grãos e R$ 23 bilhões com máquinas, serviços e outras atividades. Os números evidenciam que a atuação das empresas de distribuição vai além da venda tradicional de produtos para a produção agropecuária.
A soja permanece como principal cultura atendida pelas distribuidoras, representando 43% da atuação do setor. O milho aparece na segunda posição, com participação de 20%. Juntas, portanto, as duas culturas representam 63% da atividade registrada pelo levantamento.
Entre as categorias comercializadas, os defensivos químicos mantêm a liderança, também com participação de 43%. Na sequência aparecem os fertilizantes para aplicação no solo, com 17%, e as sementes, com 16%.
Durante a apresentação, o coordenador técnico do Cepea-Esalq/USP, Thiago Bernardino, destacou a participação de diferentes profissionais na elaboração do estudo e a importância do levantamento para o conhecimento da distribuição brasileira.

Empresas maduras, mas ainda em expansão
Outro aspecto revelado pela pesquisa é a maturidade das empresas que atuam no segmento. Oito em cada dez distribuidoras — 82% — estão no mercado há mais de 11 anos. Essa experiência contribui para lidar com os riscos associados à volatilidade característica do agronegócio.
Isso não significa, porém, um mercado sem expansão. O número de lojas cresceu 3,5% em relação a janeiro de 2025 e novas unidades continuam nos planos das empresas. Segundo a pesquisa, 32% das distribuidoras pretendem abrir lojas até 2028.
O presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, destacou durante a apresentação justamente a capilaridade alcançada pelo setor. Segundo ele, o fato de os distribuidores responderem por 47% de todos os insumos entregues ao produtor demonstra “a força e a representatividade do setor”.
A fotografia apresentada pela pesquisa mostra, assim, um segmento consolidado, mas que ainda encontra espaço para crescer. Ao combinar elevada participação na chegada de tecnologias ao campo, diversificação de receitas e planos de abertura de novas unidades, a distribuição reforça sua posição como um dos elos fundamentais entre indústria e produção agropecuária.





