Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

CNI vê avanço estratégico na aprovação do acordo Mercosul–União Europeia

Compartilhe:

Entidade avalia que tratado amplia previsibilidade, fortalece a competitividade industrial e redesenha fluxos de comércio

 

A aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia pelo bloco europeu representa um marco relevante para a inserção internacional do Brasil e para o fortalecimento da indústria nacional, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Após mais de duas décadas de negociações, o tratado é considerado o mais amplo e moderno já firmado pelo Mercosul e deve gerar impactos econômicos e sociais expressivos ao ampliar o acesso a mercados, estimular investimentos e aumentar a competitividade das empresas brasileiras.

Com o aval europeu, o acordo avança agora para etapas decisivas, como assinatura, internalização e ratificação, que exigem diálogo com parlamentos e com a sociedade. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a decisão cria o ambiente político necessário para transformar o entendimento institucional em resultados concretos. Segundo ele, a expectativa é acelerar o processo para que os benefícios se traduzam em mais comércio, investimentos e geração de oportunidades.

Ricardo Alban, presidente da CNI: avanço estratégico

A CNI destaca que os efeitos mais relevantes do acordo tendem a ocorrer no campo dos investimentos. A ampliação da previsibilidade regulatória, a redução de barreiras tarifárias e o fortalecimento de regras de facilitação de comércio e investimentos devem reduzir custos operacionais, favorecer cadeias globais de valor e estimular tanto a internacionalização de empresas brasileiras quanto a atração de capital estrangeiro. Na avaliação da entidade, o acordo tem potencial para influenciar o redesenho dos fluxos globais de comércio e investimento.

Mesmo antes de entrar em vigor, o comércio bilateral já evidencia a importância da parceria. Em 2024, a União Europeia absorveu US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total, mantendo-se como o segundo principal destino externo do país. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações do Brasil, cerca de 17,9% do total, consolidando-se como fornecedor estratégico de insumos, tecnologias e bens industriais.

Outro ponto ressaltado pela CNI é a possibilidade de ampliar relações comerciais com mercados europeus ainda pouco explorados, especialmente no Leste Europeu, como República Tcheca, Polônia e Romênia, com oportunidades nos setores industrial, tecnológico e de bens de consumo. O acordo também prevê o reconhecimento recíproco de indicações geográficas, o que pode fortalecer a presença de produtos brasileiros com origem certificada, como cafés e queijos, no mercado europeu.

Além do comércio, o tratado é visto como uma alavanca para aprofundar a cooperação em sustentabilidade e inovação. O alinhamento a exigências ambientais e sociais da União Europeia tende a reduzir barreiras ao acesso de produtos brasileiros e a estimular a adoção de tecnologias de baixo carbono, a transição energética e a digitalização da agroindústria, reforçando a competitividade da indústria nacional no longo prazo.

 

Acordo Mercosul–União Europeia: principais pontos

Acesso a mercados

  • Redução gradual de tarifas de importação e exportação
  • Ampliação do acesso de produtos industriais e agroindustriais brasileiros ao mercado europeu
  • Estímulo à diversificação das exportações

Comércio e investimentos

  • Regras mais claras para facilitação do comércio
  • Maior previsibilidade regulatória
  • Estímulo ao investimento estrangeiro direto e à internacionalização de empresas brasileiras
  • Redução de custos nas cadeias globais de valor

Indicações geográficas

  • Reconhecimento mútuo de produtos com selo de origem
  • Proteção de marcas regionais brasileiras
  • Ampliação de oportunidades para produtos como café, queijos e bebidas no mercado europeu

Sustentabilidade e meio ambiente

  • Compromissos com padrões ambientais e sociais
  • Incentivo ao uso de tecnologias de baixo carbono
  • Apoio à transição energética e à economia sustentável

Inovação e cooperação técnica

  • Fortalecimento da cooperação em tecnologia, digitalização e indústria avançada
  • Estímulo à modernização produtiva e à competitividade industrial

Impactos esperados

  • Expansão do comércio bilateral
  • Atração de investimentos
  • Geração de empregos e renda
  • Maior inserção do Brasil nas cadeias globais

Encontre na AgroRevenda