Atuação do Instituto de Zootecnia ajuda a consolidar um mercado que cresce apoiado em diferenciação e confiança
A busca por alimentos mais alinhados a necessidades específicas dos consumidores tem aberto novas oportunidades para a cadeia leiteira brasileira. Em um mercado tradicionalmente pautado por volume e eficiência produtiva, categorias diferenciadas começam a ganhar relevância comercial ao combinar atributos nutricionais, rastreabilidade e valor agregado. Entre elas, o leite A2 desponta como um dos segmentos que mais despertam atenção de produtores, laticínios e consumidores.
O crescimento desse mercado está diretamente ligado à capacidade de comprovar a origem e as características dos produtos oferecidos ao consumidor. À medida que o leite A2 amplia sua presença nas gôndolas, aumenta também a necessidade de mecanismos que assegurem que o produto comercializado corresponde efetivamente às especificações divulgadas pelos fabricantes.
O Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tornou-se uma das principais referências nacionais na validação desses produtos. A instituição atende algumas das maiores marcas brasileiras do segmento e responde pela certificação de grande parte do leite A2 comercializado no país.
“A maior parte dos produtos comercializados com essa certificação no país é validada pelo trabalho desenvolvido aqui. Por meio do trabalho do IZ, realizamos análises que comprovam que o leite é efetivamente do tipo A2, para algumas das principais empresas do setor”, afirma Aníbal Vercesi Filho, diretor técnico da Divisão de Genética e Biotecnologia do Instituto de Zootecnia.
O leite A2 se diferencia por não conter a proteína beta-caseína A1, presente na maior parte dos leites convencionais. Estudos citados pelo instituto indicam que pessoas sensíveis à proteína A1 podem apresentar melhor digestibilidade e menos desconfortos gastrointestinais ao consumir produtos compostos exclusivamente pela variante A2, sem prejuízo às características nutricionais do alimento.
Além da certificação dos produtos industrializados, o avanço desse mercado tem ampliado o interesse por ferramentas de seleção genética. Como a capacidade de produzir leite A2 está associada ao perfil genético dos animais, o instituto também realiza exames capazes de identificar vacas com potencial para produzir exclusivamente esse tipo de leite.
“A indústria envia periodicamente amostras dos produtos para análise. No caso do leite, por exemplo, é enviada uma amostra identificada com lote, data de fabricação e todas as informações necessárias para rastreabilidade”, explica Vercesi.
O desenvolvimento desse segmento já começa a ultrapassar a esfera comercial. Um exemplo citado pelo pesquisador é o programa implantado pelo município paulista de Novo Horizonte, que distribui leite A2 para creches, hospitais e outras instituições públicas. Segundo o instituto, atualmente cerca de 10 mil litros do produto são distribuídos dentro da iniciativa, que vem despertando interesse de municípios vizinhos.
Além do trabalho com leite A2, o IZ atua na certificação de produtos bubalinos, participando da validação de praticamente todos os laticínios de búfala comercializados no Brasil. A instituição também desenvolve ferramentas genéticas voltadas à identificação de animais com características produtivas desejáveis, incluindo maior aptidão para fabricação de queijos.
“Nosso papel é gerar conhecimento, desenvolver tecnologia e oferecer ferramentas de certificação que dão segurança ao consumidor e agregam valor aos produtos”, destaca Vercesi. A expansão do leite A2 mostra que a diferenciação tende a ocupar um espaço cada vez mais importante dentro da pecuária leiteira, criando novas oportunidades para produtores, indústrias e consumidores.




