Inovação pode eliminar uso intensivo de colmos e inaugurar novo modelo de produtividade no campo
O modelo tradicional de plantio da cana-de-açúcar pode estar diante de uma transformação estrutural. Com apoio financeiro do BNDES, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) avança no desenvolvimento de sementes sintéticas que prometem redefinir a forma de implantação dos canaviais no Brasil, com impactos diretos em produtividade, custos e sustentabilidade.
Ao todo, R$ 83,96 milhões em financiamentos foram aprovados para três projetos da empresa, incluindo a construção da primeira planta industrial de demonstração dessa nova tecnologia. Somados aos aportes da Finep e recursos próprios, os investimentos chegam a R$ 165,54 milhões, consolidando uma das principais apostas em inovação no setor sucroenergético.
A proposta rompe com o modelo atual, baseado no uso intensivo de colmos — que pode demandar mais de 16 toneladas por hectare. Com as sementes sintéticas, o plantio passa a utilizar cerca de 400 quilos por hectare, em um processo mais próximo ao adotado em culturas como soja e milho.

“O uso da semente sintética de cana-de-açúcar será uma disrupção na forma como plantamos a cana, trazendo aumento de produtividade e de margens agroindustriais, além da redução de emissões de gases de efeito estufa”, afirma César Barros, CEO do CTC.
Entre os ganhos esperados estão a redução da compactação do solo, menor consumo de combustível e insumos, além da eliminação da necessidade de viveiros para produção de mudas. A tecnologia também permite acelerar a renovação dos canaviais, mantendo-os em estágios mais produtivos por mais tempo. Outro diferencial é o controle sanitário. Produzidas em ambiente in vitro, as sementes são isentas de doenças, contribuindo para a formação de lavouras mais uniformes e eficientes.
A primeira planta-piloto, em Piracicaba (SP), terá capacidade para atender até 500 hectares por ano e marca o início da fase de escala da tecnologia. “O BNDES está empenhado em fortalecer a produção agrícola brasileira e a inovação no campo. São iniciativas que contribuem para a redução significativa dos custos operacionais […] e das emissões de gás carbônico”, destaca o presidente do banco, Aloizio Mercadante.
Além disso, o pacote de inovação inclui o desenvolvimento de uma nova variedade resistente ao bicudo-da-cana, praga que pode comprometer lavouras inteiras. Com meta de dobrar a produtividade até 2040, o avanço das sementes sintéticas sinaliza um novo ciclo para a cultura, posicionando o Brasil na fronteira da biotecnologia aplicada à produção de energia e alimentos.




