Entidade classifica abertura como “dia do não anúncio” e defende plano de longo prazo para dar previsibilidade ao agro
A abertura da Agrishow 2026, principal vitrine de tecnologia e negócios do agronegócio brasileiro, foi marcada, neste domingo (26/04), por um tom de frustração entre lideranças do setor produtivo. A ausência de anúncios concretos por parte do Governo Federal levou a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) a classificar o momento como o “dia do não anúncio”, evidenciando a distância entre expectativa e entrega no campo.
Segundo a entidade, produtores chegaram ao evento aguardando medidas capazes de responder aos desafios imediatos da atividade, como crédito, renegociação de dívidas e fortalecimento do seguro rural. No entanto, o discurso oficial foi interpretado como repetição de promessas já conhecidas, sem definição de prazos ou mecanismos de execução.
“Hoje foi o dia do não anúncio. Quando todo o setor produtivo esperava a consolidação de medidas efetivas, os representantes do governo federal vieram, mais uma vez, com promessas. O produtor não precisa de mais promessas; precisa de ações efetivas”, afirmou Tirso Meirelles, presidente da FAESP.
A crítica vai além do curto prazo. A federação defende que o agronegócio brasileiro precisa de uma estratégia estruturada, com horizonte de longo prazo, capaz de garantir previsibilidade ao produtor e sustentação ao crescimento do setor. “É fundamental termos um plano de 10, 20 anos; um ‘Plano Brasil’ que contemple soluções de curto, médio e longo prazo”, reforçou Meirelles.
Outro ponto central levantado pela entidade é a segurança jurídica, considerada condição essencial para manter investimentos no campo. Sem estabilidade regulatória e clareza nas regras, o ambiente de negócios tende a se deteriorar, afetando diretamente a capacidade produtiva e a competitividade internacional do país.
Para a FAESP, transformar discursos em ações práticas é determinante para que o Brasil mantenha seu protagonismo global na produção de alimentos. A ausência de medidas concretas, nesse contexto, não apenas frustra expectativas, mas também amplia a percepção de incerteza em um setor que depende de planejamento e previsibilidade.




