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Brasil perde espaço nos EUA enquanto exportações avançam

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Vendas brasileiras ao mercado americano recuam 16% em 2026, apesar do crescimento das exportações totais do País

 

Enquanto as exportações brasileiras seguem apresentando crescimento no mercado global, o desempenho junto aos Estados Unidos caminha na direção oposta. Os números mais recentes do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil, mostram que o principal parceiro comercial do país fora da Ásia vem reduzindo suas compras de produtos brasileiros em ritmo acelerado ao longo de 2026.

Entre janeiro e maio, a corrente de comércio bilateral somou US$ 29,5 bilhões, resultado 14,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. O recuo foi puxado tanto pela queda das exportações brasileiras quanto pela redução das importações originárias dos Estados Unidos. As vendas do Brasil ao mercado norte-americano totalizaram US$ 14 bilhões, retração de 16%, enquanto as importações recuaram 12,6%, para US$ 15,5 bilhões. Como consequência, o déficit brasileiro na relação comercial aumentou 43,3%, alcançando US$ 1,5 bilhão.

O resultado chama atenção porque ocorre em um cenário no qual as exportações totais brasileiras continuam avançando. De acordo com o levantamento, as vendas externas do país cresceram 8,7% no acumulado do ano, enquanto os embarques destinados aos Estados Unidos recuaram 16%. Entre os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais, a queda foi ainda mais intensa, atingindo 22,6%.

Maio reforçou a tendência negativa observada ao longo dos últimos meses. As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 3,1 bilhões, volume 14% inferior ao registrado em maio de 2025. Foi o décimo mês consecutivo de retração. No mesmo período, as importações brasileiras de produtos americanos caíram 11%, marcando o sexto mês seguido de redução.

Entre os principais fatores que explicam o enfraquecimento das exportações estão as menores vendas de petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro e aço e celulose. No acumulado do ano, o petróleo apresentou retração de 42,4%, enquanto os embarques de café recuaram 37,9%. Também registraram perdas relevantes os semiacabados de ferro e aço (-19,4%) e a celulose (-9,5%).

Por outro lado, alguns segmentos apresentaram desempenho positivo. As exportações de carne bovina cresceram 36% nos cinco primeiros meses do ano. O setor aeronáutico também avançou, com aumento de 24,4% nas vendas de aeronaves e equipamentos relacionados ao mercado americano.

O cenário ocorre paralelamente às discussões tarifárias conduzidas pelo governo dos Estados Unidos. Relatórios produzidos no âmbito das investigações da Seção 301 avaliam medidas que podem resultar em sobretaxas adicionais de até 37,5% para determinados produtos brasileiros. Caso avancem, essas medidas tendem a reduzir ainda mais a competitividade do Brasil frente a concorrentes internacionais.

Para Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, a situação reforça a necessidade de acelerar as negociações bilaterais. “O comércio bilateral continua operando abaixo do seu potencial. Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto.

 

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