Queda no volume anual contrasta com avanço das importações, que atingem maior patamar desde 2021
O comércio exterior de etanol encerrou 2025 com sinais mistos para o Brasil. Após dois meses de forte retração, os embarques reagiram em dezembro, mas o movimento não foi suficiente para evitar o pior desempenho anual das exportações desde 2017, segundo levantamento da Datagro com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior.
No último mês do ano, o país exportou 173 milhões de litros de etanol, volume 56,8% superior ao de dezembro de 2024. Ainda assim, o resultado ficou 6,3% abaixo da média histórica para o período, sinalizando uma recuperação parcial. No acumulado de 2025, as exportações somaram 1,612 bilhão de litros, retração de 14,6% em relação a 2024 e de 20% frente à média dos últimos cinco anos.
A receita acompanhou o avanço pontual de dezembro, alcançando US$ 101 milhões, alta de 67,5% na comparação anual, impulsionada tanto pelo maior volume quanto pela melhora dos preços. O valor médio do etanol exportado ficou em US$ 0,58 por litro, acima dos US$ 0,55 registrados um ano antes. Mesmo com preços mais firmes, o faturamento total de 2025 caiu 11,2%, totalizando US$ 934 milhões, reflexo direto da redução dos embarques ao longo do ano.
Em termos de destino, a Coreia do Sul manteve a liderança nas compras em dezembro, absorvendo mais da metade do volume exportado no mês. Os Países Baixos consolidaram-se como principal porta de entrada do produto na Europa, enquanto as Filipinas completaram o grupo dos três maiores compradores no período. No acumulado do ano, a Coreia do Sul também permaneceu como principal destino, seguida pelos Estados Unidos, que reduziram suas importações, e pelos Países Baixos, que ampliaram significativamente as compras.
Outros mercados africanos, como Gana e Camarões, ganharam espaço em 2025, enquanto Filipinas e Nigéria diminuíram suas aquisições. Juntos, dezenas de outros destinos responderam por menos de 10% do volume exportado no ano.
Na contramão das exportações, as importações brasileiras de etanol cresceram de forma expressiva em 2025, totalizando 319 milhões de litros, avanço de 66,2% frente a 2024 e o maior volume desde 2021. Os Estados Unidos, o Paraguai e a Argentina concentraram praticamente todo o produto adquirido pelo Brasil, reforçando o contraste entre a queda das vendas externas e o aumento da dependência de etanol importado ao longo do ano.
Etanol brasileiro: produção comercializada e principais mercados
Produção destinada ao mercado externo (2025)
- Exportações totais: 1,612 bilhão de litros
- Variação anual: −14,6% em relação a 2024
- Comparação com média de 5 anos: −20,0%
- Menor volume exportado desde: 2017
- Receita com exportações: US$ 934 milhões (−11,2%)
- Preço médio do etanol exportado: US$ 0,58/litro
Principais destinos do etanol brasileiro – 2025
- Coreia do Sul
- 780 milhões de litros
- 48,4% do total exportado
- Variação anual: −0,3%
- Estados Unidos
- 253 milhões de litros
- 15,7% do total
- Variação anual: −18,4%
- Países Baixos
- 221 milhões de litros
- 13,7% do total
- Variação anual: +45,3%
- Principal porta de entrada na Europa
- Gana
- 61 milhões de litros
- 3,8% do total
- Variação anual: +40,8%
- Camarões
- 49 milhões de litros
- 3,0% do total
- Variação anual: +129,1%
Outros destaques do comércio exterior
- Filipinas: queda de 36,3% nas compras
- Nigéria: retração de 59,9%
- Demais 66 destinos: 8,9% do volume exportado
Importações brasileiras de etanol (2025)
- Volume total: 319 milhões de litros
- Variação anual: +66,2%
- Maior volume desde: 2021
- Origem do etanol importado:
- Estados Unidos: 43,9%
- Paraguai: 29,9%
- Argentina: 26,2%


