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Agro mantém geração de riqueza acima de R$ 1,4 trilhão

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Mesmo pressionado por recuos em commodities, setor segue em patamar histórico de faturamento e renda

 

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileira alcançou R$ 1,4 trilhão em maio de 2026, mantendo o setor em um dos maiores patamares de geração de riqueza já registrados no país. Os dados divulgados pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) mostram que, apesar da retração observada em diversas commodities ao longo dos últimos meses, a agropecuária continua exercendo papel central na economia nacional.

O levantamento indica que as lavouras permanecem como principal fonte de receita do setor, respondendo por R$ 908,8 bilhões, o equivalente a 64% do VBP nacional. A pecuária contribui com outros R$ 510,2 bilhões, representando 36% do total. Embora o indicador apresente recuo de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado, os números seguem em níveis historicamente elevados.

A redução observada em relação a 2025 está associada principalmente à queda nos preços de algumas commodities relevantes e a ajustes nas projeções de produção de determinadas culturas. Entre os produtos que registraram os maiores recuos aparecem cacau (-56,8%), laranja (-38%), arroz (-30%), mamona (-20,1%), trigo (-18,2%), amendoim (-14,8%), uva (-11,4%) e algodão (-10,2%). Como resultado, o conjunto das lavouras apresentou retração de 5,9% no período.

Por outro lado, algumas culturas registraram desempenho positivo. A batata-inglesa liderou os avanços, com crescimento de 22,3%, seguida por feijão (12,6%), mandioca (8,1%), tomate (5,6%) e banana (3%). Os resultados mostram que, embora o cenário seja desafiador para determinados segmentos, o comportamento do agro brasileiro continua heterogêneo, com diferentes cadeias respondendo de forma distinta às condições de mercado.

Entre os produtos de maior relevância econômica, a soja segue na liderança absoluta, com valor estimado em R$ 338,5 bilhões. Na sequência aparecem milho (R$ 162,2 bilhões), cana-de-açúcar (R$ 110,8 bilhões), café (R$ 109,6 bilhões) e algodão (R$ 33,2 bilhões). Juntos, esses cinco produtos concentram aproximadamente 53,2% de todo o valor gerado pela agropecuária brasileira.

Na pecuária, o destaque continua sendo a bovinocultura, que alcançou R$ 248,7 bilhões e registrou crescimento de 8,9% em relação ao ano anterior. Em sentido contrário, segmentos como suínos (-20,3%), frango (-10,4%), ovos (-7,9%) e leite (-4,8%) apresentaram retração. Ainda assim, a atividade pecuária segue respondendo por parcela significativa da renda produzida pelo campo brasileiro.

O levantamento também evidencia a força regional da agropecuária. Mato Grosso permanece na liderança nacional, com VBP estimado em R$ 213,5 bilhões. Minas Gerais aparece na segunda posição, com R$ 171,6 bilhões, seguido por São Paulo, que soma R$ 159,6 bilhões. Os números reforçam o papel estratégico dessas regiões na sustentação da produção agropecuária brasileira.

Mais do que um indicador econômico, o VBP funciona como um retrato da capacidade do agro de gerar renda, investimentos e movimentação financeira em diferentes cadeias produtivas. Mesmo em um ambiente de oscilações de preços, o setor segue demonstrando relevância estrutural para a economia nacional.

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