China, União Europeia e outros mercados compensam retração norte-americana e ajudam exportações a avançar 6,2% em dólares
O agronegócio brasileiro aumentou as exportações no primeiro semestre de 2026 mesmo diante de tarifas comerciais, problemas logísticos e tensões geopolíticas. De janeiro a junho, as vendas externas do setor alcançaram US$ 87 bilhões, crescimento de 6,2% sobre igual período de 2025, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
O avanço foi sustentado principalmente pela quantidade de produtos enviada ao exterior. O volume exportado cresceu 7,5%, enquanto o preço médio em dólar recuou 1,2%. Entre os produtos com maior expansão dos embarques aparecem óleo de soja, com alta de 30%; milho, 22%; algodão, 21%; carne bovina, 15%; frango, 14%; farelo de soja, 11%; carne suína, 10%; e soja em grão, 7%.
O cenário muda, porém, quando o resultado é convertido para a moeda brasileira. A valorização real do câmbio chegou a 10,8% no período, contribuindo para uma queda de 12% nos preços em reais. Descontada a inflação, o faturamento em moeda nacional recuou 5,2%.
A China continuou como principal destino do agro brasileiro. As receitas obtidas no mercado chinês cresceram 10% e responderam por 35% do valor exportado pelo setor. Foram mais de US$ 30 bilhões em compras, sendo 66% desse montante destinado a produtos do complexo soja. O país recebeu ainda quase 70% do volume brasileiro de soja em grão e 53% das exportações de carne bovina in natura.
A União Europeia ocupou a segunda posição, absorvendo 14,5% das vendas externas. Café, farelo de soja, carne de frango, frutas e suco de laranja estão entre os principais produtos destinados ao bloco.
O movimento mais negativo ocorreu nos Estados Unidos. Em dólares, as compras norte-americanas caíram 25% em relação ao primeiro semestre de 2025. A retração foi mais intensa entre produtos atingidos pelo aumento das tarifas. Na madeira, por exemplo, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu de 42% para 29%; no suco de laranja, de 44% para 34%.
A expansão para outros destinos, entre eles China, União Europeia, Turquia, Índia e Japão, ajudou a compensar essa perda. O resultado mostra capacidade de diversificação, mas não elimina riscos. O Cepea aponta entre os desafios para os próximos meses os custos de frete, as restrições à navegação no Estreito de Ormuz, possíveis impactos sobre insumos, a cota chinesa para carne bovina e exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos.
Apesar das incertezas, as perspectivas apresentadas no estudo indicam oferta e demanda agropecuárias resilientes em 2026, mesmo diante das adversidades climáticas e geopolíticas.


