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Café: planejamento será decisivo diante do El Niño

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Fórum Café e Clima aponta que a safra atual é boa, mas descarta expectativa de supersafra em 2027

 

O maior desafio da cafeicultura brasileira para o próximo ciclo pode não estar na produtividade atual, mas na preparação para 2027. A confirmação de um El Niño entre os três mais intensos dos últimos 76 anos levou especialistas reunidos no 8º Fórum Café e Clima, promovido ontem pela Cooxupé em Guaxupé (MG), a defender que o planejamento das lavouras precisa começar imediatamente após a colheita para reduzir riscos e preservar o potencial produtivo.

Embora a safra 2026/27 apresente resultados considerados bons, técnicos da cooperativa descartam a possibilidade de uma supersafra. Segundo o coordenador do Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé, Guilherme Vinicius Teixeira, o atraso no desenvolvimento vegetativo iniciado em 2024 limitou a capacidade produtiva dos cafeeiros. O ciclo também foi marcado por três floradas principais, chuvas intensas entre janeiro e março, dificuldades no manejo fitossanitário e uma colheita menos uniforme, fatores que comprometeram parte do potencial das lavouras.

Agrometeorologista Marco Antônio dos Santos: projeções do El Niño

As projeções climáticas reforçam a necessidade de atenção. O agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima, afirmou que o El Niño deverá provocar temperaturas elevadas durante a primavera de 2026 e o verão de 2027. Embora Sul e Sudoeste de Minas Gerais e a Média Mogiana paulista devam manter chuvas relativamente regulares, o Cerrado Mineiro poderá enfrentar períodos de estiagem mais prolongados. O maior desafio, porém, será o risco de múltiplas floradas, provocado pela combinação entre inverno mais úmido e início de primavera chuvoso, aumentando a complexidade do manejo das lavouras.

Para o professor José Donizeti Alves, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), o fenômeno climático representa um desafio importante, mas seus impactos podem ser reduzidos quando o produtor atua preventivamente. Segundo ele, o período pós-colheita é decisivo para fortalecer o sistema radicular, antecipar adubações, realizar o manejo fitossanitário e utilizar tecnologias capazes de aumentar a resistência das plantas aos estresses climáticos. Cafeeiros com raízes mais profundas, observou o pesquisador, apresentaram melhor desempenho durante episódios anteriores de estiagem.

Mais do que divulgar previsões meteorológicas, o Fórum Café e Clima evidencia uma mudança no papel das cooperativas diante das transformações climáticas. Em um cenário de eventos extremos cada vez mais frequentes, organizações como a Cooxupé passam a atuar como centros de inteligência técnica, antecipando riscos, difundindo conhecimento e apoiando os cooperados na tomada de decisões que podem definir a produtividade das próximas safras. A adaptação às mudanças do clima tende a se consolidar como um dos principais diferenciais competitivos da cafeicultura brasileira.

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