Parcerias com China, Canadá, Espanha e Austrália ampliam pesquisas em reprodução, biotecnologia e preservação genética dos asininos
O jumento brasileiro deixou de ser apenas símbolo cultural do Nordeste para ocupar espaço estratégico na agenda científica internacional. Após consolidar intercâmbio técnico com a China, pesquisadores do Brasil avançam na formação de uma rede global dedicada à reprodução, preservação genética e valorização econômica dos asininos.
Instituições da África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Espanha, Japão e Marrocos passam a integrar iniciativas conjuntas que incluem pesquisas laboratoriais, intercâmbio acadêmico e treinamentos especializados. Segundo o professor Gustavo Ferrer Carneiro, da UFRPE e integrante do Conselho Diretor da International Society for Equine Reproduction (ISER), o interesse internacional tem crescido especialmente em torno do jumento nordestino. “Temos a perspectiva da vinda de uma estudante da University of Saskatchewan, no Canadá, com possibilidade de desenvolvimento de um experimento com embriões de jumentos”, afirma.

Com a Espanha, o diálogo envolve estudos voltados à preservação do jumento nordestino e das raças Andaluz e Zamorano. Já com a China, a cooperação concentra esforços no desenvolvimento de diluentes de sêmen livres de antibióticos à base de leite de jumenta, rico em bioativos como a lisozima. A proposta surge como alternativa frente ao desafio global da resistência antimicrobiana. “Reduzir o uso de antibióticos por meio de alternativas naturais e eficazes, como os bioativos do leite de jumenta, é uma estratégia que interessa à comunidade científica e à sociedade como um todo”, destaca Carneiro.
Outra frente envolve o projeto “Conexão Brasil–Argentina–Austrália”, com pesquisas em ICSI — técnica aplicada na produção de bardotos e mulas, híbridos valorizados para montaria e manejo de gado. A ISER também prepara cursos e eventos internacionais, ampliando a capacitação técnica em reprodução de jumentos. O conjunto das ações busca estruturar uma cadeia produtiva asinina sustentável, apoiada em ciência, inovação e cooperação internacional.




