A força do trabalho imigrante que ergueu o agronegócio do Brasil a partir do Norte do Paraná
A imigração japonesa para o Brasil é uma das forças mais espetaculares da história da nossa economia. Desde 1908, quando o navio Kassatu trouxe quase oitocentos cidadãos daquele país, que desembarcaram em Santos. Vários deles seguiram direto para o Norte do Paraná, região de terra fértil, hostil, inabitada, dominada por matas de árvores gigantescas. Mas bem planejada para o crescimento pela companhia inglesa Melhoramentos Norte do Paraná. A chegada dos imigrantes aumentou bastante a partir dos anos 1930, atraídos pela febre de terras baratas e férteis, vermelhas de vulcões ancestrais, lavouras de café e comércio de madeira. E ocupou uma área que ia da divisa com o Estado de São Paulo, em Ourinhos, até o Noroeste paranaense, passando por Assaí, Londrina, Cambé, Rolândia, Marialva e Maringá. Nos anos 1950, 1960 e 1970, houve a segunda onda de imigração. Foi nesse caldeirão de trabalho pesado, agronegócio surgindo forte numa terra distante, que germinou a energia da família Hara. A origem era urbana, mas o garoto José sempre mantinha contato com a zona rural, durante as férias que passava na propriedade da avó por parte de mãe. E surgiu a oportunidade de um emprego no setor, oferta de um tio da família. A imagem do esforço na garagem da empresa é um emblema. Trabalhou bem e abriu espaço em outra empresa. Atraindo convite para os irmãos Paulo e Roberto. Concluiu o curso de Agronomia na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1982, enquanto o irmão Sergio fazia o mesmo na Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Os conhecimentos foram sendo aprendidos pelos quatro irmãos até culminar na constituição de uma empresa própria, a Agro Hara, aberta em Apucarana, em 1988. “Um pensamento foi fundamental para o crescimento nos primeiros anos. Independentemente de quem produzia mais ou menos, teríamos que estar juntos”, lembra Paulo. E a empresa expandiu para Faxinal, Londrina, Alvorada do Sul, Cornélio Procópio, Sertanópolis, Borrazópolis, Cruzmaltina, Ivaiporã e Andirá. Passando pela compra da Toyo-Sen I. E a renovação de várias unidades. Atuação total nos setores agrícola, veterinário e florestal. “Dizem que a origem nipônica são tempo e espaços curtos, mas constantes. Acho que a gente seguiu nesse ritmo: devagar e sempre. Prestando um atendimento de excelência ao produtor rural. Entendendo que teríamos de evoluir para continuar a relevância da marca, buscando entender a realidade dos clientes”, ressalta José Hara.
Com o tempo, a atuação de dirigente classista ganhou força. Entrou para o Conselho Diretor da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV) em 2012. E hoje ocupa a Presidência do Conselho Diretor da entidade. Sem nunca esquecer do compromisso como distribuidor nato, sempre de olho nos desafios do futuro. “Dividimos nossa atuação em duas linhas: agrícola e veterinária. Em ambas, temos como princípio a sustentabilidade, afinal, respeitamos nossa maior riqueza e a razão de estarmos aqui: o meio-ambiente. E mais. Tenho orgulho em ser um revendedor de insumos. Além de promover a excelência da Andav em cada um dos seus trabalhos. Vamos sempre honrar e destacar o distribuidor brasileiro de insumos”, finaliza.




