A produção de DDGS no Brasil vai bater recorde em 2020.
O nome DDGS é uma sigla na língua inglesa para a produção de material seco com os resíduos que sobram da produção do álcool feito com o milho.
Dried Distillers Grains With Solubles.
Também existe o resíduo úmido.
Pois a produção de DDGS vai crescer mais de 60% no Brasil em 2020, o que vai possibilitar a substituição de parte do farelo de soja na hora de fazer a ração dada aos animais de produção, como bovinos, aves e suínos.
Um fato que alivia os gastos dos produtores já que a soja está bem valorizada por causa do mercado internacional aquecido.
O mundo está com fome da soja brasileira.
Nós somos os maiores produtores e exportadores mundiais deste grão.
A União Nacional do Etanol de Milho, a UNEM, informou que a produção de DDGS no Brasil deve ficar em dois milhões de toneladas neste ano.
70% a mais do que no ano passado, que ficou em 1,2 milhão de toneladas.
Os criadores agradecem.
È opção para dar comida mais em conta a bois, vacas, frangos de corte e postura, suínos, pequenos ruminantes e outros.
O DDGS substitui o farelo de soja, é mais barato, porém tem um nível de proteína menor.
Mas neste momento de alta dos preços do milho e da soja, ele tem sido uma excelente alternativa às cadeias de produção.
Até por causa do momento histórico de seca que o Brasil vem enfrentando.
O DDGS já é utilizado em grande escala nos Estados Unidos, que são disparados os maiores produtores globais de álcool feito com o milho.
O que importa neste caso, seja em que país for, é calcular a melhor relação custo/benefício em momentos chaves para decidir pela melhor fonte de proteína.
Outra vantagem do DDGS é ser adaptável a diferentes dietas, podendo entrar tanto como proteico, substituindo o farelo de soja ou farelo de algodão, ou como proteico energético, substituindo o próprio milho.
E os preços?
Vamos ver.
No fim de setembro, o preço médio da tonelada do farelo de soja estava em dois mil reais, enquanto o DDGS estava mil reais, a metade.
Em termos de proteína bruta, a diferença entre os produtos é menor.
O farelo tem 48% e o DDGS 32%.
È por isso que o consumo de farelo de soja no Brasil deverá cair 3,2% em 2020, baixando a 16,7 milhões de toneladas.
A previsão é da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, a ABIOVE.
Mas a expectativa na produção nacional de ração animal este ano é de atingir mais de 80 milhões de toneladas, número que inclui o sal mineral, aumento de 4% sobre 2019.
O presidente-executivo do Sindicato das Indústrias de Alimentação Animal, o Sindirações, nosso amigo e parceiro Ariovaldo Zani, crava sem medo de errar.
O DDGS é um ingrediente que se encaixa bem na ração.
O produto consegue complementar a oferta de matérias-primas em um momento de grande procura pelas carnes brasileiras no mundo.
O que também foi um fator-chave para o aumento da produção de ração neste ano.
O DDGS também tem sido estratégico para as usinas de etanol.
È que o milho dobrou de preço nos últimos doze meses , mas o biocombustível não.
O etanol está em recuperação, voltando ao preço de janeiro, e quem segura esse aumento de custo da matéria-prima para a indústria de etanol é o DDGS.
A Unem reúne indústrias principalmente de Mato Grosso e Goiás, onde também estão grandes consumidores da matéria-prima para ração animal.
Confinadores de bovinos e criadores de suínos e aves.
A produção de DDGS deve crescer 20% em 2021.
2,4 milhões de toneladas.
Na esteira de um aumento da fabricação de etanol de milho no país de 3,2 bilhões de litros.
Toda a produção de DDGS em 2020 já está vendida pelas usinas até o final do ano.
Os contratos de venda estão sendo fechados agora para entrega apenas no ano que vem.
È a magia da economia capitalista no campo, de escala, de associações em nome de bons negócios.
A soja está cara para quem compra, porém traz dinheiro para toda a cadeia dela.
Justo.
O DDGS cresce pelo aumento da produção de álcool do milho, principalmente no Centro Oeste do Brasil.
Dinheiro certo para as duas cadeias.
Justo.
Se você prestar atenção, quando há fartura na produção, todos os setores ganham.
De cara, no curto prazo, com escolha de boas alternativas de negócios ou em um bom planejamento das oportunidades.
Prejuízo só existe quando não há investimentos e boas safras.