China, um gigante, um monstro, uma nação colossal e milenar.
A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a competente Tereza Cristina, alertou o Brasil recentemente de que nosso Agronegócio está ficando com uma dependência preocupante em relação às compras chinesas.
Uma observação feita aqui, no Radar Agro, humildemente, na semana passada, quando falamos sobre os resultados das vendas externas do agro em maio.
A ministra tem toda a razão.
Devemos reverenciar nossos parceiros chineses.
Eles são os maiores compradores do Campo Brasil e investiram bilhões de dólares em nossa balança comercial desde que entraram na Organização Mundial do Comércio.
Mesmo que não respeitem muito as normas da OMC.
E, ao mesmo tempo, não podemos deixar de realizar ações de promoção e marketing de nossos produtos do agro pelo mundo afora, para diversificarmos o máximo possível nossa carteira de clientes.
O ideal é vendermos para mais de duzentas nações.
Assim, quando um país estiver com problemas, direcionamos nossa força de comercialização para os outros mercados.
vida que segue.
Sempre com lucratividade.
E um outro detalhe, que todos os empreendedores brasileiros da cadeia produtiva do agronegócio precisam enfiar na cabeça de uma vez por todas.
O cliente tem sempre razão.
Se ele troca nosso produto por outro, de outro país, é porque nós falhamos em algum detalhe.
Enfatizo essa questão por causa de uma choradeira antiga que alguns empresários do nosso país insistem em reativar contra nossos parceiros vermelhos.
A de que os chineses são muito difíceis para negociar nossos produtos.
Não sei se é verdade mesmo ou apenas uma nova pauta ‘forçada’ dos jornais impressos brasileiros.
O que, infelizmente, costuma ser rotina em nosso dito ‘jornalismo’.
Mas foi notícia no jornal de economia ‘Valor’ que os frigoríficos da América do Sul, que exportam 70% de toda a carne bovina adquirida pelo gigante asiático, acham o estilo dos chineses intrigante, desgastante, com importadores pedindo renegociação de contratos, descontos e até mesmo fazendo o cancelamento de compras.
Eles alegam que os chineses vêm tentando emplacar descontos de até 25%.
Pechinchando valores de até mil dólares por tonelada.
A dita reportagem afirma que o movimento especulativo estaria prejudicando principalmente os frigoríficos pequenos e médios, que não teriam gordura financeira para queimar, e estariam sendo forçados a vender a carne a preços pouco atraentes.
Na mesma matéria, está dito que as indústrias de grande porte, como JBS, Marfrig e Minerva Foods, possuem melhores condições para resistir às pressões comerciais devido ao histórico de relacionamento com os clientes chineses.
E até conseguem segurar as vendas até que os preços da carne se normalizem.
O material do jornal Valor é, desculpe a sinceridade, de uma fragilidade desconcertante.
Para não dizer coisa pior.
Não traz uma só fonte da indústria com nome e sobrenome.
Apenas a de uma consultora do setor, a competente Lygia Pimentel, que fala bem sobre o mercado, só diz verdades e não corrobora em nenhum momento a tentativa de ‘mote’ do autor da reportagem.
Mas, de qualquer maneira, a ‘nãotícia’, como se dizia antigamente nas redações, lança luz sobre algumas reflexões importantes para os empreendedores do nosso país.
E que lembram muito minha mãe, Dona Magdalena, que era apaixonada por ditados e expressões populares.
Primeiro, o que falei lá em cima.
A preocupação da ministra é superválida.
E o cliente tem sempre razão.
Em segundo lugar, por muitas verdades que marcam o comércio no planeta Terra há milhares de anos.
E que nossa indústria exportadora precisa enfiar na cabeça de uma vez por todas.
Os chineses compram e vendem produtos há mais de cinco mil anos.
No mundo moderno, na Idade Média, durante os impérios romano, grego, otomano, turco, de ‘Alexandre, o Grande’.
Só faltava alguém achar hoje que vai sentar na mesa de negociação e ter do outro lado um amador.
Se você está fazendo um mau negócio com a China, não faça.
Procure outros compradores.
Minha mãe dizia.
Quem desdenha quer comprar.
Negócio só é bom se for bom para as duas partes.
Se você está perdendo dinheiro com seu negócio, mude de estratégia porque senão você vai quebrar.
Você já viu alguém ter prejuízo com uma transação e insistir nela várias vezes? Só se for no hospício.
Ter um prejuízo por estratégia,é superválido.
Ter prejuízo como estratégia é suicídio.
Meus caros empresários brasileiros.
Meu conselho é bem diferente da mensagem da tal reportagem.
Que tal produzirmos bem, investir em qualidade, buscar bons parceiros, diversificar as vendas, construir alianças e parcerias positivas para todos os envolvidos, atender muito bem os clientes e falar bem deles, aprender com os revezes, seguir atuando com gestão, eficiência, produtividade crescente?
Sem ficar chorando como criança.