Tecnologias e manejo mais precisos permitem reduzir impactos ambientais e otimizar recursos na produção de proteína animal
A pressão crescente sobre os recursos naturais está redefinindo a forma como a produção animal é conduzida — e a água passou a ocupar papel central nessa transformação. Mais do que reduzir o consumo direto nas propriedades, o desafio agora envolve compreender e otimizar o uso indireto do recurso ao longo de toda a cadeia produtiva.
Nesse cenário, a nutrição animal surge como uma das principais ferramentas para ganhos de eficiência. De acordo com Leandro Greco, gerente de serviços técnicos da Kemin, o conceito de uso de água precisa ser ampliado. “Quando falamos em uso de água na produção animal, não estamos tratando apenas do consumo direto. Existe uma quantidade significativa de água ‘invisível’, que está embutida na produção de insumos e na eficiência do sistema como um todo”, explica.
A relevância do tema é reforçada por dados globais. A agropecuária responde por cerca de 70% do uso de água doce no mundo, segundo a FAO, o que coloca o setor no centro das discussões sobre sustentabilidade e eficiência.
Dentro desse contexto, avanços em formulação nutricional e tecnologias aplicadas têm permitido melhorar o aproveitamento dos nutrientes pelos animais. “A nutrição animal tem um papel estratégico porque atua diretamente na eficiência biológica dos animais. Quanto melhor o aproveitamento dos nutrientes, menor a necessidade de recursos para produzir o mesmo volume de proteína”, afirma Greco.
A lógica é direta: ao aumentar a conversão alimentar, reduz-se não apenas o consumo de ração, mas também a demanda indireta por água e outros insumos. Além disso, a menor excreção de nutrientes contribui para reduzir riscos de contaminação ambiental.
Outro fator determinante está na qualidade da água oferecida aos animais. Segundo o especialista, esse aspecto ainda é subestimado no campo. “Água de baixa qualidade pode comprometer o consumo, a saúde e o desempenho dos animais, impactando toda a eficiência do sistema”, destaca.
A discussão também dialoga com a agenda climática global, que exige sistemas produtivos mais eficientes e menos intensivos em recursos. Para Greco, produtividade e sustentabilidade já não podem ser tratadas separadamente. “Hoje, não é mais possível olhar para produtividade de forma isolada. As decisões precisam considerar eficiência, sustentabilidade e impacto ambiental como parte do mesmo sistema”, afirma.
Com o avanço da ciência aplicada à nutrição, o setor caminha para um modelo em que produzir mais com menos recursos deixa de ser tendência e passa a ser condição para a competitividade no agro.




