Produtores relatam até sete aplicações de inseticidas e risco de perdas que podem chegar a 60% com avanço da Spodoptera e Helicoverpa
A safrinha 2025 acendeu um sinal vermelho no Cerrado. A pressão de lagartas nas lavouras de milho, inclusive em áreas com híbridos Bt, tem surpreendido produtores e elevado os custos de produção. Em algumas regiões, já há relatos de seis a sete aplicações de inseticidas para tentar conter os ataques.
Híbrido Bt é uma variedade de milho desenvolvida com biotecnologia que incorpora genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). Esses genes fazem com que a planta produza proteínas inseticidas específicas, capazes de controlar determinadas lagartas, como a Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho).
A principal ameaça continua sendo exatamente a lagarta-do-cartucho, mas o cenário é mais amplo. O complexo Spodoptera, a Helicoverpa armigera e a lagarta-elasmo também avançam, favorecidas pelo calor intenso e pela chamada “ponte verde” entre soja e milho.
Segundo a Embrapa, infestações elevadas podem provocar perdas de até 60% na produtividade, dependendo do estágio da cultura e da intensidade do ataque. O que preocupa técnicos é o registro de possíveis casos de quebra de resistência Bt, ampliando a pressão sobre o manejo.
“O produtor precisa reforçar o monitoramento e não confiar apenas na tecnologia embarcada no híbrido”, alerta Edir Eraldo Pfeifer, especialista da Ourofino Agrociência. “A antecipação do controle é determinante para evitar perdas expressivas.”
O cenário reforça a necessidade de disciplina técnica: monitoramento frequente, rotação de mecanismos de ação e integração com controle biológico passam a ser decisivos para preservar a eficiência das ferramentas disponíveis.
Mais do que uma questão pontual, a safra 2025 mostra que tecnologia genética, isoladamente, não garante produtividade. No atual contexto, estratégia e manejo podem ser a diferença entre margem positiva e prejuízo.
O uso criterioso de inseticidas com mecanismos de ação diferenciados tem sido parte da estratégia adotada na região. Entre as opções disponíveis no mercado está o Goemon®, inseticida desenvolvido pela Ourofino Agrociência em parceria com a multinacional ISK. Formulado com ciclaniliprole, do grupo químico das diamidas, o produto atua nos receptores musculares das lagartas, promovendo desregulação do cálcio intracelular, o que leva à paralisação rápida da alimentação e posterior morte do inseto.




