Materiais desenvolvidos por instituições paulistas combinam rusticidade, produtividade e menor risco para diferentes sistemas de cultivo
As mudanças climáticas e a maior incidência de pragas vêm transformando a escolha de sementes e mudas em uma das decisões mais estratégicas para o produtor rural. Mais do que buscar altas produtividades, cresce a demanda por cultivares capazes de suportar períodos de estiagem, ataques de doenças e outras adversidades que comprometem a estabilidade das lavouras. Em São Paulo, materiais desenvolvidos pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) têm sido utilizados justamente com esse objetivo: aumentar a resiliência da produção agrícola.
Um exemplo é a variedade de milho AL Piratininga, disponibilizada pela CATI Sementes e Mudas. O produtor Luís Bustos, de Tremembé, no Vale do Paraíba, relata que cultiva o material há cerca de dez anos e destaca o bom desempenho da cultivar mesmo durante períodos de seca. Segundo ele, além da resistência, o custo acessível favorece sua adoção por pequenos e médios produtores.
De acordo com Fernando Alves dos Santos, chefe da Divisão Laboratorial de Sementes e Mudas da CATI, as variedades de polinização aberta apresentam maior rusticidade em relação a muitos híbridos comerciais, característica que favorece a recuperação das plantas após ataques de pragas ou déficits hídricos. “São variedades com excelente desempenho produtivo e custo acessível. Em áreas com maior risco, como plantios no final da época recomendada ou em solos ainda em processo de correção, materiais mais rústicos e tolerantes às adversidades climáticas tornam-se fundamentais para reduzir o risco da atividade agrícola”, afirma.

Além do milho, o melhoramento genético desenvolvido pelo IAC vem ampliando a oferta de materiais adaptados às diferentes condições de cultivo. Ao longo de 139 anos de pesquisa ininterrupta, o instituto desenvolveu 1.205 cultivares de 112 espécies vegetais até junho de 2026. Entre elas estão cafés resistentes à ferrugem e ao nematoide, variedades de cana-de-açúcar adaptadas a diferentes regiões, uvas mais tolerantes ao calor e ao déficit hídrico, além de materiais para citros, feijão, amendoim e outras culturas de importância econômica para o País.
A adoção dessas tecnologias ganha relevância em um contexto de maior variabilidade climática. Episódios associados ao El Niño, períodos prolongados de estiagem, veranicos e o aumento da pressão de pragas elevam os riscos da atividade agrícola e exigem soluções capazes de manter a produtividade com menor exposição às perdas.
Mais do que uma alternativa tecnológica, o desenvolvimento de cultivares resistentes tem se consolidado como uma ferramenta de adaptação da agricultura às novas condições ambientais. Para os produtores, a combinação entre genética, assistência técnica e manejo adequado tende a ser cada vez mais determinante para reduzir riscos, preservar a competitividade e garantir maior segurança à produção nos próximos anos.






