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Sem leitura geopolítica, agro corre risco de ficar para trás

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Professor e palestrante Heni Ozi Cukier (HOC). Foto: Suellen Santin

Palestra de Heni Ozi Cukier no SBSA reforça que economia isolada não explica mais o mundo e que fatores políticos moldam mercados e cadeias produtivas

 

Em um cenário global cada vez mais imprevisível, compreender apenas indicadores econômicos já não é suficiente para orientar decisões estratégicas no agronegócio. Essa foi a principal mensagem que marcou a abertura do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), em Chapecó (SC), trazendo a geopolítica para o centro do debate do setor.

Responsável pela palestra inaugural, o cientista político Heni Ozi Cukier apresentou uma leitura ampliada do ambiente internacional, destacando que interesses políticos e relações de poder têm influência direta sobre mercados e cadeias produtivas. “Tentar explicar o mundo somente pela economia não funciona. As decisões são influenciadas por relações de poder, interesses políticos e fatores estratégicos”, afirmou o especialista.

Ao longo da apresentação, Cukier reforçou que a dinâmica comercial global está cada vez mais conectada a disputas geopolíticas. “Relações comerciais são, na prática, relações de poder. Existe interdependência econômica, mas essa dependência nunca é neutra”, pontuou.

O palestrante também destacou que a geopolítica deve ser compreendida como ferramenta essencial para análise de cenários, indo além de conflitos e guerras. “A geopolítica explica como o ambiente, ‘o tabuleiro’, influencia o comportamento, a cultura, a riqueza e as decisões dos países, ‘o jogo’”, explicou.

Essa abordagem ganha relevância em um momento marcado pelo retorno de políticas protecionistas no comércio internacional, como o chamado “tarifaço”, citado por Cukier como exemplo de como decisões políticas podem alterar fluxos globais e impactar diretamente cadeias produtivas. Para o especialista, incorporar essa leitura ao planejamento deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade. “Nenhum governo, empresa ou setor consegue funcionar plenamente sem entender as forças geopolíticas que moldam o mundo”, destacou.

A abertura do SBSA também evidenciou a força da avicultura brasileira no cenário global. Segundo a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o país lidera as exportações de carne de frango, com cerca de 38% do comércio internacional, além de manter forte presença no abastecimento interno.

Ao reunir especialistas, lideranças e empresas, o evento reforça seu papel como espaço estratégico para antecipar tendências e alinhar o setor diante de um ambiente global cada vez mais complexo. A 26ª edição do SBSA é realizada desde ontem, terça-feira, e vai até amanhã, quinta-feira.

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