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Seguro paramétrico avança no país, mas tem entraves

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Estudo do FGV Agro aponta crescimento da modalidade no país, mas destaca desafios ligados à qualidade dos dados, compreensão do produtor e modelagem dos índices

 

O avanço das mudanças climáticas e a intensificação de eventos extremos têm impulsionado novas soluções para gestão de risco no campo. Entre elas, o seguro paramétrico ganha espaço no Brasil, ainda que em ritmo mais lento do que no mercado global.

Diferente do modelo tradicional, esse tipo de seguro aciona indenizações com base em indicadores objetivos, como volume de chuvas ou temperatura, sem necessidade de vistoria em campo. A proposta é trazer mais agilidade e previsibilidade ao produtor.

Dados do estudo “Seguros Paramétricos no Brasil – Oportunidades, limites e desafios”, do FGV Agro, mostram que a modalidade saiu de apenas quatro contratos em 2021 para 171 apólices em 2024, abrangendo 5.579 hectares e R$ 21,6 milhões segurados. Apesar da evolução, o volume ainda é considerado reduzido frente ao potencial do país.

No cenário global, o mercado já movimenta US$ 5,9 bilhões e pode atingir US$ 11,3 bilhões até 2033. No Brasil, porém, há obstáculos relevantes, principalmente ligados à qualidade das bases de dados e à complexidade do modelo.

Segundo os pesquisadores, o principal risco está na divergência entre o índice utilizado e a perda real do produtor. “Pode ser que o agricultor sofra perdas substanciais sem que o índice atinja o gatilho ou contrário”, apontam os autores do estudo, Vitor Ozaki e Daniel Miqueluti.

Além disso, a percepção do produto e a carência de dados meteorológicos históricos e em tempo real limitam a expansão, especialmente entre pequenos produtores. “A compreensão do seguro, que é mais abstrata que o seguro rural, pode também ser uma barreira para maior adesão, sobretudo, para os pequenos produtores”, destacam os autores.

O que é seguro paramétrico?

O seguro paramétrico é uma modalidade que paga indenização automaticamente quando um indicador pré-definido é atingido, como volume de chuva, temperatura ou produtividade média. Diferente do seguro tradicional, não há vistoria em campo: o pagamento é acionado por dados objetivos, o que traz mais rapidez e previsibilidade. Por outro lado, o produtor pode ter perdas sem receber indenização caso o índice não atinja o gatilho estabelecido.

Números do mercado

  • US$ 5,9 bilhões (2023)
  • US$ 11,3 bilhões (projeção 2033)
  • Brasil: 171 apólices em 2024
  • R$ 21,6 milhões segurados

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