Mecanismo indeniza produtores em caso de perdas e acelera retomada do status sanitário, estratégico para exportações do agro
Mesmo após três décadas sem registros de febre aftosa, São Paulo reforça sua estratégia de proteção sanitária com a criação de um novo mecanismo voltado à segurança do produtor rural. A partir de maio, entra em operação o Fundo de Defesa da Sanidade Animal para a Pecuária (Fundesa-PEC), estruturado para garantir respostas rápidas diante de eventuais emergências sanitárias e reduzir impactos econômicos na atividade.
A iniciativa surge em um momento estratégico para o Estado, que mantém o status de área livre da doença sem vacinação — condição essencial para acessar mercados internacionais mais exigentes, como Japão e Coreia do Sul. Nesse contexto, o fundo atua como um instrumento de proteção tanto sanitária quanto econômica, assegurando maior previsibilidade para o setor.
De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, o modelo fortalece a base competitiva da pecuária paulista. “A criação do Fundesa-PEC representa um passo estratégico para fortalecer o sistema de defesa sanitária de São Paulo. Estamos estruturando um mecanismo que protege o produtor, garante capacidade de resposta rápida diante de emergências e reforça a credibilidade da carne paulista nos mercados mais exigentes do mundo. A sanidade animal é um ativo econômico fundamental para a competitividade do agro paulista”, afirma.
Além de agilizar ações em caso de foco da doença, o fundo também incentiva a notificação imediata de suspeitas, etapa considerada crítica para o controle de surtos. “O fundo garante que o produtor notifique rapidamente qualquer suspeita […] Quanto mais rápido essa notificação ocorrer, mais rápidas serão as ações da Defesa Agropecuária”, explica Luiz Henrique Barrochelo, diretor da Defesa Agropecuária.
Outro ponto central é a compensação financeira ao produtor. Em situações extremas, como a eliminação de rebanhos, o Fundesa-PEC prevê indenização, evitando prejuízos severos e colapsos econômicos nas propriedades afetadas.
A contribuição ao fundo será calculada com base no número de bovídeos declarados, com valor estimado em cerca de R$ 1,06 por animal em 2026. A medida consolida um modelo de defesa que combina vigilância, agilidade e proteção econômica, alinhando o Estado às exigências do mercado global e reforçando a sanidade como pilar da competitividade do agronegócio.




