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Sanções, logística e estrutura freiam retomada do petróleo venezuelano

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Ilustração gerada pelo ChatGPT

Apesar de crescimento em 2025, produção permanece distante dos níveis registrados no início dos anos 2000

 

A produção de petróleo da Venezuela voltou a registrar crescimento em 2025, mas segue longe de indicar uma retomada consistente do setor. Em novembro, o país produziu 3,811 milhões de toneladas de petróleo bruto, avanço de 6,5% na comparação anual, segundo dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). No acumulado do ano, o volume somou 41,857 milhões de toneladas, alta de 10%, o maior nível para o período desde 2019.

Apesar do avanço, os números ainda representam pouco mais de um terço da produção observada no início dos anos 2000, quando o país superava 12 milhões de toneladas mensais. A DATAGRO aponta que a recuperação é limitada por um conjunto de fatores estruturais, entre eles as sanções internacionais, a deterioração da infraestrutura e o marco regulatório restritivo, que impede a atuação independente de empresas estrangeiras no setor.

Atualmente, a produção venezuelana depende fortemente de joint ventures com participação estatal majoritária, lideradas pela PDVSA. Entre os parceiros internacionais, a norte-americana Chevron é a principal operadora estrangeira em atividade, respondendo por volumes relevantes em projetos como Petropiar e Petroboscan, amparados por licenças específicas dos Estados Unidos.

Mesmo essas operações enfrentam restrições. O alto nível de estoques, dificuldades logísticas e limitações de exportação levaram a pedidos pontuais de redução de produção, enquanto outros projetos, com participação chinesa, russa e europeia, operam com capacidade limitada e baixo nível de investimento.

Segundo a DATAGRO, uma retomada mais robusta exigiria dezenas de bilhões de dólares em investimentos e um horizonte de até dez anos para reabilitar poços, oleodutos, refinarias e terminais. Além disso, o perfil do petróleo venezuelano — majoritariamente extrapesado — reduz a atratividade econômica, por demandar refinarias especializadas e ser comercializado com desconto em relação ao Brent. Nesse cenário, mesmo com sinais recentes de crescimento, a expansão sustentável da produção segue como um desafio de longo prazo.

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