Novo mapeamento mostra liderança na restauração e alerta para desafios em um dos biomas mais degradados do Brasil
Mesmo sendo o bioma brasileiro historicamente mais impactado pela ocupação humana, a Mata Atlântica lidera os esforços de restauração florestal. De acordo com a mais recente edição do Observatório da Restauração (OR), a região concentra 131,2 mil hectares de áreas em processo de recuperação, o que representa 64% do total monitorado no país, estimado em 204,2 mil hectares. Desde o lançamento da plataforma, em 2021, a área restaurada no bioma cresceu 12%.
Os dados foram divulgados em dezembro pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, responsável pela manutenção do Observatório. Apesar do avanço, o cenário permanece delicado. Segundo Rubens Benini, diretor de Florestas e Restauração da The Nature Conservancy (TNC) Brasil e coordenador do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, restam menos de 24% da cobertura original do bioma e metade dessa área ainda apresenta algum grau de degradação. “A Mata Atlântica vive um cenário delicado que requer muita atenção”, alerta. Para ele, a restauração é fundamental para reconectar fragmentos florestais e proteger serviços ecossistêmicos estratégicos, como a conservação de nascentes que abastecem grandes centros urbanos.
O levantamento também destaca o papel da restauração no cumprimento dos compromissos climáticos do Brasil. O país assumiu, no âmbito do Acordo de Paris, a meta de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, compromisso reforçado em 2024 com o lançamento do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). A atividade, além dos ganhos ambientais, pode gerar mais de 2,5 milhões de empregos diretos.
O Observatório da Restauração utiliza metodologia própria, baseada em informações autodeclaratórias de organizações e empresas que realizam ações planejadas de recuperação ambiental. “O Observatório é uma ferramenta essencial não somente pela contabilização de hectares em si, mas pela articulação e visibilidade aos atores que fazem a restauração acontecer”, explica Tainah Godoy, secretária-executiva da plataforma.
Além da Mata Atlântica, a Amazônia aparece como o segundo bioma com maior área restaurada, com 39,7 mil hectares, seguida pelo Cerrado, com 31,7 mil hectares. Caatinga, Pantanal e Pampa ainda concentram áreas menores, reflexo da estruturação mais recente de redes locais de restauração.




