Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

Preço do suíno cai 16,1%. Exportações crescem 5,1%

Compartilhe:

Oferta elevada e demanda fraca derrubam cotações, enquanto exportações brasileiras de carne suína batem recordes

 

O mercado brasileiro de suínos enfrentou forte pressão de preços em fevereiro. Levantamento do Cepea aponta que as cotações do suíno vivo registraram queda expressiva de 16,1% no mês na praça SP-5 — região que reúne cidades como Campinas, Piracicaba e Sorocaba, no interior paulista.

A retração é a mais intensa desde janeiro de 2022, quando o recuo chegou a 21%. Em fevereiro, o animal vivo foi negociado em média a R$ 6,91 por quilo, bem abaixo dos R$ 8,24/kg registrados em janeiro.

Segundo pesquisadores do Cepea, a queda está ligada principalmente à retração da demanda da indústria por animais no mercado independente, o que gerou um descompasso entre oferta e consumo interno.

A pressão de preços também chegou ao mercado atacadista. Na Grande São Paulo, a carcaça especial suína foi comercializada em média a R$ 10,36/kg, queda de 14,6% em relação a janeiro.

A forte desvalorização levou o preço da proteína ao menor patamar desde abril de 2024, em termos reais.

Apesar da queda, o movimento acabou aumentando a competitividade da carne suína frente às proteínas concorrentes. No mesmo período, a carcaça bovina subiu para R$ 23,71/kg, enquanto o frango inteiro resfriado foi negociado a R$ 7,10/kg.

Exportações seguem fortes

Mesmo com a pressão no mercado interno, as exportações brasileiras de carne suína continuam em expansão. Em fevereiro, o país embarcou 120,9 mil toneladas, crescimento de 5,1% em relação a janeiro e de 6,9% frente ao mesmo mês de 2025. O volume representa o maior já registrado para um mês de fevereiro na série histórica, iniciada em 1997.

Nos últimos três meses, os embarques somaram mais de 372 mil toneladas, avanço de 14,2% na comparação anual. Entre os principais destinos da carne suína brasileira estão as Filipinas, que lideram as compras pelo 13º mês consecutivo, seguidas por Japão e China.

A queda do preço do animal também reduziu o poder de compra dos suinocultores frente aos principais insumos da ração. Em fevereiro, com a venda de 1 kg de suíno vivo, o produtor paulista conseguiu comprar apenas 3,75 kg de farelo de soja ou 6,11 kg de milho, volumes que representam os menores níveis desde 2024.

De acordo com o Cepea, o cenário ao produtor vem se deteriorando desde o segundo semestre de 2025, refletindo custos firmes de alimentação e a pressão sobre as cotações do animal.

Por que o preço do suíno caiu tão rápido?

A forte queda nas cotações do suíno em fevereiro não foi causada por um único fator. O movimento resulta da combinação de oferta elevada, consumo interno mais fraco e pressão de custos na cadeia produtiva.

Especialistas apontam quatro fatores principais para o recuo recente dos preços.

1️⃣ Oferta maior de animais
O ciclo produtivo da suinocultura é relativamente curto. Quando há expansão da produção meses antes, mais animais chegam ao mercado ao mesmo tempo, aumentando a oferta.

2️⃣ Consumo doméstico mais fraco
Com o orçamento das famílias pressionado, a demanda por proteínas tende a oscilar. Isso reduz o ritmo de compra da indústria frigorífica.

3️⃣ Indústrias mais cautelosas nas compras
Frigoríficos diminuíram o ritmo de aquisição de animais no mercado independente, pressionando as cotações pagas aos produtores.

4️⃣ Custo de ração ainda elevado
Mesmo com alguma oscilação, milho e farelo de soja continuam representando grande parte do custo da atividade, comprimindo as margens da produção.


Encontre na AgroRevenda