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Indústria do tabaco recicla pó residual e transforma descarte em fertilizante

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Iniciativa já devolveu mais de 175 mil toneladas de material às propriedades rurais em 12 anos

 

O que antes era tratado como resíduo industrial passou a integrar o ciclo produtivo agrícola de forma sustentável. O pó do tabaco, gerado no processamento das folhas, vem sendo transformado em fertilizante orgânico e devolvido às propriedades produtoras, consolidando uma estratégia de economia circular na cadeia fumageira. Somente em 2025, cerca de 23 mil toneladas do material foram recicladas, segundo dados do setor.

A iniciativa é conduzida pelas empresas associadas ao SindiTabaco, com produção realizada pela Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc). O fertilizante, batizado de Fertileaf, possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária e certificação Classe A, além do selo Ecocert, que atesta sua adequação à agricultura orgânica.

Sebastião Bohrer, coordenador da Fupasc

Após o processamento, o adubo retorna às unidades industriais e é distribuído aos produtores por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), fechando o ciclo dentro da própria cadeia produtiva. Desde o início da reciclagem, em 2014, mais de 175 mil toneladas de fertilizante orgânico foram produzidas. O volume evoluiu de 5.375 toneladas no primeiro ano para 22.991,80 toneladas em 2025, destinadas à safra 2025/2026.

O processo combina pó de tabaco, cinzas de caldeiras à lenha e um consórcio de micro-organismos, utilizados para estabilização e correção do pH. “No tratamento, o pó de tabaco e a cinza são umidificados em um sistema coberto, chamado de leiras, ao qual também é adicionado o consórcio de micro-organismos para promover a degradação e a estabilização dos resíduos”, explica Sebastião Bohrer, coordenador de Sustentabilidade da Fupasc.

Para o SindiTabaco, a iniciativa vai além do reaproveitamento de resíduos. “A reciclagem de todos os resíduos produzidos é uma ação permanente. E, no caso da produção de fertilizante a partir do pó de tabaco, cumpre todos os requisitos da economia circular sustentável”, afirma Fernanda Viana Bender, assessora técnica da entidade. Com uso de energia solar e água de reuso no processo produtivo, o Fertileaf reforça a integração entre indústria e campo, transformando descarte em insumo agrícola e contribuindo para a produtividade das lavouras.

 

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