Dados organizados, conectividade e integração de sistemas tornam-se a base para transformar inteligência artificial em ferramenta efetiva de gestão
A inteligência artificial avança rapidamente pelo agronegócio brasileiro, mas sua capacidade de gerar resultados começa muito antes do algoritmo. Dados organizados, conectividade, processos bem definidos e sistemas capazes de conversar entre si formam uma infraestrutura cada vez mais necessária para transformar informações dispersas em decisões de produção e gestão. A discussão marca uma nova fase da digitalização do setor: mais importante do que simplesmente adotar IA é criar condições para que ela funcione.
Dados do Radar Agtech Brasil 2025 citados pela DATAGRO ajudam a dimensionar esse avanço. O País chegou a 2.075 agtechs ativas em 2025, ante 1.125 em 2019, além de reunir 390 ambientes de inovação ligados ao agronegócio. Entre as empresas de tecnologia do setor, 83% já utilizam inteligência artificial.
O desafio agora é conectar diferentes fontes. Máquinas agrícolas, sensores, ERPs, drones, imagens de satélite, estações meteorológicas e plataformas de gestão produzem informações que, integradas, podem alimentar análises operacionais e estratégicas.
Essa integração, porém, ainda encontra obstáculos. “A camada que sustenta a IA na fazenda é dado organizado, conectividade e processo. Justamente aí que o agro ainda tropeça”, afirma Fernando Rodrigues, sócio fundador da Rural Ventures.
Segundo ele, sistemas que não se comunicam comprometem a qualidade das informações e, consequentemente, a própria inteligência gerada a partir delas. “Sem integração entre os sistemas, não há qualidade de dado; e sem qualidade de dado, não há inteligência que se sustente.”
A questão ganha relevância porque uma propriedade ou empresa agropecuária precisa cruzar simultaneamente variáveis de natureza bastante diferente. Clima e produtividade convivem com custos, margens, logística, rastreabilidade e sustentabilidade. Quanto maior a quantidade de dados disponíveis, maior também a necessidade de estruturá-los para que produzam informação útil.
Da experiência para a operação
A passagem da IA de projetos experimentais para uma tecnologia incorporada à infraestrutura de gestão será tema do painel “IA: A Nova Infra do Agro”, programado para 1º de outubro, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo. O debate terá Fernando Rodrigues e Fabrício de Assis Ramos Orrigo, diretor executivo da TOTVS.
Para Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO, a tecnologia já começa a modificar a maneira como produtores e empresas utilizam dados, automatizam processos e tomam decisões. A capacidade de acompanhar essa transformação, avalia, terá impacto sobre a competitividade.
O avanço da IA, portanto, acrescenta uma nova questão à transformação digital do campo. Ter mais tecnologia não significa necessariamente ter mais inteligência. O salto ocorre quando diferentes informações passam a formar uma base confiável, integrada e capaz de sustentar decisões.



