Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

CDL Chapecó alerta sobre entraves estruturais da economia e a escala 6×1

Compartilhe:

Presidente da CDL Chapecó, Roni Tasca.Foto: Keli Magri

Para a entidade, redução de custos é mais urgente que mudanças na legislação trabalhista.

 

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1, que avança no Congresso Nacional, acendeu um alerta no setor produtivo. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Chapecó (CDL Chapecó), a proposta desloca o foco do problema central da economia brasileira e pode gerar efeitos contrários aos desejados, como aumento de custos, retração do emprego e perda de competitividade.

Na avaliação da entidade, discutir a redução da carga horária sem enfrentar os entraves que encarecem a produção no país significa atuar sobre as consequências, e não sobre as causas. O presidente da CDL Chapecó, Roni Tasca, afirma que, em um ambiente marcado por custos elevados e produtividade limitada, a diminuição do tempo de trabalho tende a pressionar ainda mais as margens das empresas, com reflexos diretos sobre preços e nível de emprego.

Entre os principais obstáculos citados está o chamado custo Brasil, expressão que reúne problemas como burocracia excessiva, infraestrutura deficiente e elevada carga tributária. Estimativas apontam que essas ineficiências representam um dispêndio adicional de cerca de R$ 1,7 trilhão por ano, o equivalente a aproximadamente 20% do Produto Interno Bruto (PIB), em comparação à média dos países da OCDE.

O peso dos tributos também é destacado pela entidade. Em 2024, a carga tributária alcançou 32,2% do PIB, o maior nível em mais de duas décadas, podendo ultrapassar 34% quando considerados todos os encargos. Segundo a CDL Chapecó, esse cenário limita investimentos em inovação, tecnologia e qualificação profissional, fatores essenciais para elevar a produtividade.

Apesar de um crescimento de 3,9% na produtividade em 2024, o Brasil segue distante das economias mais eficientes, ocupando apenas a 78ª posição no ranking global. Cada trabalhador brasileiro produziu, em média, US$ 21,44 por hora trabalhada, patamar muito inferior ao de países desenvolvidos. Para a entidade, esses números reforçam que mudanças estruturais no ambiente de negócios são mais urgentes do que alterações na jornada laboral.

A CDL Chapecó também chama atenção para a pressão fiscal. Em 2025, os gastos com programas assistenciais superaram R$ 400 bilhões, enquanto o déficit do INSS foi estimado em cerca de R$ 140 bilhões. Esse quadro, segundo a entidade, reduz a capacidade do Estado de investir em infraestrutura, educação e saúde.

Para a CDL Chapecó, insistir na redução da jornada sem reduzir custos amplia desequilíbrios já existentes. “Quando os custos sobem e a produtividade não acompanha, o resultado é menos empregos e menor crescimento”, avalia Tasca, defendendo que o debate econômico priorize a competitividade e a sustentabilidade do mercado de trabalho.

 

 

Encontre na AgroRevenda