Diesel, carga tributária e oferta global pressionam mercado no curto prazo, avalia o Sindicato da Indústria do Trigo de SP
O consumidor paulista pode sentir no bolso, já nas próximas semanas, os efeitos de uma combinação de fatores que vêm pressionando toda a cadeia do trigo. A indústria do setor projeta aumento nos preços da farinha em abril, impulsionado principalmente pela alta do diesel, mudanças tributárias e um cenário internacional ainda instável.
De acordo com o Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo (Sindustrigo), o encarecimento do combustível já impacta diretamente os fretes, elevando os custos logísticos tanto do trigo quanto da farinha. Esse movimento se soma à valorização das commodities agrícolas, influenciada por incertezas nos mercados interno e externo.
O contexto geopolítico também entra na equação. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã contribui para a elevação dos preços dos combustíveis e afeta a disponibilidade global de fertilizantes, o que pode comprometer a produção agrícola. “Este fator pode agravar a disponibilidade futura de trigo no estado, já que há sinalização de decréscimo na safra 2026/27. As entidades ligadas ao agro relatam intenção do produtor em reduzir a área plantada no próximo ciclo”, afirma Max Piermartiri, presidente do Sindustrigo.
No campo regulatório, a entrada em vigor da Lei Complementar nº 224/2025 também amplia a pressão sobre os custos. A nova regra reduz o crédito presumido e impõe tributação adicional sobre produtos importados, sem compensação equivalente, o que impacta diretamente a aquisição de matéria-prima pelos moinhos.
Além disso, o setor aponta desequilíbrios fiscais entre estados como um fator de perda de competitividade para a indústria paulista. “Nós levamos as demandas ao governo de São Paulo em busca de um diálogo que possa equilibrar a competição entre os estados e preservar a competitividade da indústria de trigo paulista”, reforça Piermartiri.
No cenário internacional, a volatilidade segue elevada. Problemas climáticos nos Estados Unidos e a expectativa de queda na produção global para a safra 2026/27 aumentam a preocupação com a oferta. Mesmo a safra recorde da Argentina apresenta desafios de qualidade, o que acende um sinal de alerta para os moinhos brasileiros.
Diante desse quadro, o setor defende maior articulação entre indústria, governo e produtores. “A estabilidade da cadeia do trigo depende de políticas públicas alinhadas e de uma visão de longo prazo para o setor”, conclui o presidente do Sindustrigo.
Fatores que pressionam o preço da farinha em SP
- Alta do diesel: aumento imediato nos custos de frete de trigo e farinha.
- Logística mais cara: impacto direto na distribuição e no preço final.
- Valorização das commodities: cenário global de incerteza eleva cotações.
- Tensão geopolítica: conflito EUA x Irã pressiona energia e fertilizantes.
- Risco de menor produção: sinalização de queda na safra 2026/27.
- Redução de área plantada: produtores avaliam diminuir cultivo.
- Mudança tributária (LC 224/2025): aumento do custo da matéria-prima.
- Guerra fiscal entre estados: perda de competitividade da indústria paulista.
- Problemas climáticos nos EUA: impacto na oferta global.
- Qualidade do trigo argentino: preocupação para os moinhos brasileiros.
Resultado: tendência de alta nos preços da farinha e possível repasse ao consumidor.




