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Cigarrinha-do-milho causa prejuízo de US$ 25,8 bilhões

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Lavoura de miho: praga provoca prejuízo bilionário na agricultura brasileira

Estudo aponta que enfezamentos causaram perdas de até 22,7% na safra e alerta para impacto direto na renda do produtor brasileiro

 

A cigarrinha-do-milho se consolidou como o principal risco sanitário da cultura no Brasil, com impacto direto na produção, nos custos e na competitividade do agronegócio. Um estudo recente mostra que a praga já provocou perdas de US$ 25,8 bilhões no país entre 2020 e 2024, colocando em alerta produtores e técnicos de todo o setor.

No período analisado, o Brasil perdeu, em média, 22,7% da produção de milho por ano, reflexo das doenças conhecidas como enfezamentos, transmitidas pelo inseto. Em termos absolutos, cerca de 2 bilhões de sacas deixaram de ser produzidas, com prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões.

Além da quebra de produtividade, o avanço da cigarrinha elevou os custos no campo. Os gastos com inseticidas cresceram 19% no período, pressionando a margem do produtor e aumentando o risco econômico da atividade. “Os resultados indicam que os enfezamentos do milho levaram a uma perda média de 31,8 milhões de toneladas por ano”, afirma Charles Oliveira, pesquisador da Embrapa Cerrados.

Os dados também mostram variações entre as safras. Enquanto o ciclo 2020/2021 registrou perdas de 28,9%, a safra 2023/2024 apresentou redução para 16,7%. Ainda assim, a presença da praga segue disseminada nas principais regiões produtoras do Brasil.

De acordo com os pesquisadores, mudanças no sistema produtivo — como a expansão da safrinha e o cultivo contínuo — favoreceram a multiplicação da cigarrinha. “Mudanças no sistema de produção […] criaram um cenário favorável para a sobrevivência da cigarrinha e dos microrganismos”, explica Oliveira.

Para Tiago Pereira, assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o problema ultrapassa a lavoura. “Estamos falando de perdas que impactam diretamente a renda do produtor, a estabilidade produtiva e a competitividade do país”, destaca.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que o controle químico isolado não é suficiente. O manejo eficiente depende da combinação de estratégias, como sincronização do plantio, uso de cultivares tolerantes, eliminação do milho tiguera e monitoramento constante.

Como o milho é base para a produção de carnes, leite e biocombustíveis, os prejuízos também afetam toda a cadeia produtiva e podem pressionar preços ao consumidor.

 

O que é o inseto e por que causa tanto prejuízo?

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) é um inseto considerado hoje a principal praga da cultura no Brasil. Mais do que causar danos diretos à planta, ela atua como vetor de doenças conhecidas como enfezamentos, responsáveis por perdas severas de produtividade.

Essas doenças — como o enfezamento pálido e o vermelho — comprometem o desenvolvimento das plantas, reduzem a formação de espigas e podem levar à perda total da lavoura em casos mais graves. O problema é agravado pelo fato de não existir tratamento curativo após a infecção.

Outro fator crítico é a alta capacidade de reprodução e dispersão da cigarrinha, presente em praticamente todas as regiões produtoras do país. Mudanças no sistema produtivo, como o cultivo contínuo de milho ao longo do ano, criaram condições ideais para sua sobrevivência.

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